O município e a ONG Movimento Justiça e Direitos Humanos assinaram nesta terça (22) convênio para sinalizar locais da cidade que abrigaram crimes cometidos por agentes do regime militar (1964-1985).
Um presídio desativado e uma praça que sediou uma unidade militar também deverão receber a sinalização. No atual palácio da polícia, funcionou o Dops (Departamento de Ordem Política e Social), um dos órgãos da repressão.
O movimento também quer colocar placas em frente a dois quartéis do Exército ainda em funcionamento. O convênio prevê que o município bancará os custos dos memoriais, enquanto a entidade, liderada pelo ativista Jair Krischke, ficará responsável pela pesquisa histórica.
Para Krischke, o projeto, batizado de "Marcas da Memória", se contrapõe à iniciativa dos militares de dar o nome de presidentes do regime a equipamentos públicos.
O projeto de identificação foi inspirado em ações realizadas no Uruguai e na Argentina. Ativistas produziram até catálogos com centros de repressão militar em Buenos Aires e em Montevidéu.
Há duas semanas, militantes de esquerda encenaram torturas em frente a uma casa usada pelo Dops em Porto Alegre e colaram adesivos com inscrições como "Aqui nessa rua pessoas foram torturadas e mortas". O local também está na lista dos que deverão ser sinalizados.

