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160411_direitos_humanosBrasil - Brasil De Fato - [Beto Almeida] Admitir a manipulação criminosa e hipócrita da bandeira dos direitos humanos pelo carrasco da humanidade é uma concessão que mais tarde pode voltar-se contra nós.


O Brasil votou a favor do envio de vistoria especial da ONU sobre violação de direitos humanos no Irã. Alinha-se, injustificadamente, à manipulação dos EUA. Na verdade, os Estados Unidos pretendem usar todos os recursos para pressionar a nação persa a não seguir com seu programa nuclear, com seu impressionante salto nas tecnologias aeroespacial, farmacêutica (o Irã encontra-se entre os principais fabricantes mundiais de remédios contra a AIDS e câncer) e também aquelas aplicadas à indústria bélica.

Quando se argumenta que o Brasil não vai votar a favor do envio de inspetores de direitos humanos para os EUA, há sempre uma ingênua observação, “ mas uma coisa não justifica a outra”. A realidade é que sequer passa pela cabeça da Comissão de Direitos Humanos da ONU investigar o país que mais ditaduras sanguinárias patrocinou, mais guerra provoca, mais invasões militares realiza para rapinar as riquezas dos países em desenvolvimento.

Há uma evidente campanha da mídia de capacete - boletins de guerra, não mais reportagens - para desestabilizar o governo iraniano, inclusive pela agitação hipócrita da bandeira dos direitos humanos. Enquanto o caso da Sakineh é repercutido e repetido inúmeras vezes, nada se fala do jornalista Mumia Abu Jamal, dos Panteras Negras, que está preso há 19 anos no corredor da morte na Pensilvânvia, num julgamento forjado, repleto de ilegalidades, sob o comando do juiz que mais condena negros, hispânicos e asiáticos à cadeira elétrica, que jamais teve divulgação relevante no Brasil. Enquanto Barack Obomba deu a ordem de ataque nas dependências do Palácio do Planalto - desrespeito e também ameaça ao povo brasileiro - inaugurando a nova chuva de mísseis sobre a Líbia, prisioneiros continuam sendo torturados em Abu Graid, em Guantánamo, crianças executadas no Afeganistão, palestinos fuzilados em Gaza, com apoio dos EUA. Isso também é pena de morte, coletiva. Toda pena de morte deve ser abolida!

Admitir a manipulação criminosa e hipócrita da bandeira dos direitos humanos pelo carrasco da humanidade é uma concessão que mais tarde pode voltar-se contra nós. Não apenas por culpa dos direitos humanos que, no Brasil, registram índices de violação insuportáveis nos impedindo de dar lições de moral a outros povos. Mas, também pelo programa nuclear que o Brasil tem a zelar.

Beto Almeida é presidente da TV Cidade Livre.

Texto originalmente publicado na edição 423 do Brasil de Fato.


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