O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), anunciou nesta quinta-feira que irá começar o processo de concessão do maior estádio do Brasil na próxima semana. Na segunda-feira será lançado edital para a concessão e o processo deve se estender até o fim da obra que está sendo realizada para a Copa do Mundo de 2014, no começo do próximo ano.
Até o momento, a obra está orçada em R$859 milhões. Após este investimento que pode ter seu valor aumentado ainda mais, o estádio será entregue para uma empresa privada, passando a ter função apenas de garantir o lucro de quem ganhar a licitação. O dinheiro investido pelo estado é retirado da classe trabalhadora e será entregue para uma empresa.
"Sugiro que várias empresas participem. O Maracanã é um equipamento que, na mão da iniciativa privada, pode dar alta rentabilidade. Menos pelo ingresso cobrado do que pelos atrativos que pode oferecer.", afirmou o governador quando anunciou o início do processo, no lançamento da pedra fundamental do hotel que será construído para receber jornalistas na Copa.
A empresa que ganhar o processo licitatório deve assumir a administração total do estádio somente depois da Copa, mas segundo o governador, pode ser que ela assuma apenas parcialmente no período anterior ao evento.
A concessão do estádio, que deverá ter duração de décadas e ainda ser prorrogável, é uma forma de privatização disfarçada. A administração e os rendimentos do estádio serão todos entregues para uma empresa privada.
Com isto, os preços dos ingressos devem subir consideravelmente, além da exploração dos trabalhadores ligados ao Maracanã, através do rebaixamento do salário, instabilidade no emprego e a não concessão de cláusulas sociais. Tal situação também condiciona todos os eventos que forem acontecer no estádio à que deem lucro, impedindo a abertura para a população.
A concessão deste estádio não é um caso isolado, diversos outros estádios que também estão recebendo milhões para reforma, depois passarão por processo de licitação e irão para as mãos de um punhado de empresários. O mesmo está acontecendo com os portos e aeroportos.
A situação se dá para garantir o lucro dos empresários, em especial na situação de crise atual. O repasse de empresas e verbas públicas é a única forma de garantir o lucro destes, como se tem visto na Europa.
Antes de começar a escolha da empresa, o estádio passará por um processo de avaliação de viabilidade que será feita pela empresa IMX, do amigo do governador e multimilionário Eike Batista.
No mesmo evento em que anunciou a abertura da licitação, Cabral disse que irá demolir o antigo museu do índio, localizado junto ao estádio, por considerar que ele "não tem nenhuma importância histórica". O local está ocupado por índios que descordam do governador e pedem a restauração do local. Esta ação é mais uma prova de que o interesse do governador é deixar o local destinado apenas para o lucro de empresas que não vêm importância nenhuma na instituição cultural.



Diário Liberdade defende a discussom política livre, aberta e fraterna entre as pessoas e as correntes que fam parte da esquerda revolucionária. Porém, nestas páginas nom tenhem cabimento o ataque às entidades ou às pessoas nem o insulto como alegados argumentos. Os comentários serám geridos e, no seu caso, eliminados, consoante esses critérios.