No último domingo, 14, o governo organizou a ocupação de mais um grupo de favelas cariocas. Desta vez, concentrado na zona norte da cidade, a operação acabou com a expulsão centenas de usuários de crack de uma cracolândia localizada nas favelas Manguinhos e do Jacarezinho.
Nos dias seguintes, outros pontos de uso de drogas foram foco de recolhimentos dos agentes de assistência social, sob o argumento que os usuários que estavam no Jacarezinho haviam se deslocado. Durante a ação, além de levarem os usuários para albergues, recolhem seus bens, que dificilmente são reavidos.
No domingo, foram recolhidas cerca de 110 pessoas nas favelas que foram sitiadas. Nos dias seguintes, este número aumentou, principalmente por haver o avanço da perseguição em outras regiões. E a prefeitura pretende continuar com estas ações.
Assim como aconteceu em São Paulo no começo do ano, fica claro que a prefeitura não tem condições para oferecer o devido tratamento das mais de 250 pessoas que já foram recolhidas. A cidade possui apenas cinco centros de tratamento que contam juntos com apenas 178 vagas.
Apesar de se darem em diferentes regiões da cidade, sendo no Rio na periferia e em São Paulo no centro, o objetivo das operações é o mesmo. À custa da repressão às camadas mais pobres da cidade, as prefeituras agem em benefício da especulação imobiliária.
Nas regiões ocupadas pela polícia, na capital fluminense, há o aumento do valor dos imóveis e do aluguel que acaba por expulsar as camadas mais pobres para as regiões ainda mais periféricas. Nas novas ocupações não será diferente. Dentro do terreno ocupado no último final de semana, há uma área de refinaria que possui divida de R$ 260 milhões e será desapropriada pelo governo de Cabral.
Em São Paulo, a prefeitura cedeu às empresas privadas o poder de despachar construções ocupadas. Além disso, o projeto "Nova Luz", motivo principal da perseguição aos usuários na cidade, tem como objetivo aumentar ainda mais a especulação imobiliária no centro da cidade.
Nos dois casos, o combate ao crack aparece como uma farsa usada para favorecer um punhado de especuladores. Na capital paulista, ficou claro que a situação após isso só piorou, aumentando os pontos de concentração e sem diminuir o número de usuários; no Rio não será diferente.



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