As informações divulgadas eram de 11 pessoas presas. Pelo menos três eram mulheres presas em flagrante, acusadas de estarem realizando um aborto no momento da batida policial.
A permanente ação para a prisão de mulheres acusadas de aborto acontece juntamente com uma campanha ideológica, direitista, que procura condenar moralmente as mulheres que decidem interromper sua gestação.
No primeiro dia do ano, o Papa Ratzinger voltou a fazer declarações onde chega ao absurdo de declarar que o aborto é um dos empecilhos para a tal “paz mundial”.
Agora são líderes judeus que saem a público para fazer campanha contra o direito das mulheres de decidirem livremente sobre a maternidade.
Dois grandes rabinos de Israel estão divulgando cartas onde se utilizam da malfadada campanha em “defesa da vida” para condenar as mulheres que decidem pela interrupção da gestação.
Numa entrevista à rádio militar israelense um rabino afirmou que esse ano este tema será alvo de campanha especial entre os judeus.
Em Israel, o aborto não é considerado crime para menores de 17 anos, para vítimas de estupro ou de relações incestuosas. Nos casos médicos, como quando há malformação fetal ou a gravidez representa risco para saúde da mãe uma comissão médica também pode entrar com o pedido para realizar o aborto.
No Brasil existem três situações para o acesso ao aborto legal. Estupro, risco de vida para a gestante, ou diagnóstico de anencefalia fetal. Mas a burocracia, resistências enfrentadas no sistema de saúde, na sociedade etc. faz muitas mulheres aumentarem as estatísticas dos abortos clandestinos. O que faz deste procedimento um problema de saúde pública, e a quarta causa de morte materna no País.
Mesmo nessas circunstâncias dramáticas a campanha contra o direito das mulheres ao aborto segue como uma verdadeira ofensiva direitista. É papel de todos os setores democráticos, que defendem o Estado Laico e o direito das mulheres, apoiar a legalização e fim da perseguição, processo e punição das mulheres por aborto.

