Em entrevista à Agência Brasil, Laís Abramo, diretora da OIT no Brasil, disse que “é importante que haja políticas que facilitem a vida profissional, pessoal e familiar da mulher”. Ele avalia que o poder público e as empresas precisam dar “ênfase à noção de corresponsabilidade, com jornadas flexíveis, creches e acesso a meios de transporte”.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), utilizados pela OIT, apontam que 90,7% das mulheres que estão no mercado de trabalho realizam atividades domésticas. Esse percentual que cai para 49,7% entre os homens.
No trabalho fora de casa, elas gastam uma média de 36 horas por semana, enquanto eles 43,4 horas. Em casa, por outro lado, elas trabalham durante 22 horas semanais. Os homens, 9,5 horas. Além disso, as atividades domésticas realizadas por eles não são necessariamente executadas em casa. Fazer compras de supermercado ou levar os filhos à escola entram na conta.
Diante dessa realidade, o estudo da OIT avalia que a massiva incorporação das mulheres ao mercado não vem sendo acompanhada de um satisfatório processo de redefinição das relações de gênero com relação à divisão sexual do trabalho de reprodução social.


