Em entrevista, ele conta que após a agressão foi sangrando até a 4º delegacia de polícia registrar o boletim de ocorrência contra o ataque homofóbico, mas só recebeu descaso. Dentro da DP, os agressores fizeram novas ameaças a Guilerme, dizendo que ele estava marcado e que sofreria novas agressões. Após resistências da polícia, o BO foi registrado. Agora, o militante prepara um ato para demonstrar que esse não é um problema individual, mas um tema caro a sociedade brasileira.
Caros Amigos - Como você foi atacado?
Eu estava andando ali na região da Avenida Paulista e vi que tinham um grupo seguindo um casal de meninos, pensei que iam agredi-los, então parei num posto para observar o que ia acontecer. Aí eles viram que eu estava lá olhando e partiram para cima de mim. Levei um soco, mas o pessoal do posto separou, só por isso não apanhei mais.
Caros Amigos – Você foi tratado com descaso na delegacia. Acredita que foi por preconceito?
Com certeza, tentaram me dissuadir o tempo todo de fazer o boletim de ocorrência (BO), de desistir de abrir um processo. A policial que me atendeu aceitou a versão dos agressores de que eu teria “dado em cima deles de forma vulgar”, foram essas as palavras que ela usou. Tentaram inclusive me fazer desistir dizendo que por isso eles também poderiam abrir um BO contra mim. Também não me ofereceram a menor proteção, me pediram os dados pessoais, como endereço e telefone, na frente dos agressores, sendo que eu fui ameaçado na frente dos policiais. E, depois de tudo isso, queriam que a gente saísse junto da delegacia, sem nenhuma proteção. Tive que ligar para um amigo me buscar.
Caros Amigos – O que você vai fazer agora?
Vou tentar transferir meu caso para a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). E, na segunda-feira (dia 28), vou até DP da Consolação entregar a polícia o laudo do IML que comprova a agressão física, e isso vai ser feito com um ato. Esse ato é pra demonstrar que esse não é um problema meu, sabe-se lá quantas pessoas já foram dissuadidas na delegacia de denunciar que foram agredidas, como tentaram fazer comigo. O problema é muito profundo. Eu fui justamente um dos organizadores da Marcha contra a Homofobia, em fevereiro, em que pedíamos a aprovação do Projeto de Lei 122/2006, que torna crime atos homofóbicos. E, um mês depois, sou agredido, tratado com descaso, e tive que sair de casa porque fui ameaçado. Está muito claro que é preciso debater esse tema, aprovar essa lei e sensibilizar a sociedade.

