Para ser considerada morte materna, a causa do óbito deverá estar relacionada com qualquer problema ocorrido durante a gravidez ou agravado por ela. Além de investigar a causa da morte de mães, os comitês a serem criados deverão também sugerir medidas para sanar erros identificados, em consonância com os gestores e autoridades sanitárias.
Entre outras atribuições desses comitês destaca-se a promoção de atividades educativas e de conscientização da comunidade e dos profissionais envolvidos na assistência à saúde da mulher.
Os comitês deverão ser compostos por representantes do SUS, do conselho de saúde e dos serviços públicos e privados que prestem assistência ambulatorial ou hospitalar à saúde da mulher, bem como por representantes da sociedade civil. Também podem integrar os comitês especialistas em áreas relacionadas à saúde da mulher, profissionais de saúde pública, professores universitários que atuam nessa área e representantes de movimentos ou de conselhos de mulheres.
Segundo o projeto, os membros dos comitês exercerão funções honoríficas, e é vedada a remuneração a qualquer título, exceto para o ressarcimento de despesas decorrentes do exercício da função, definidas em regulamento.
O projeto determina também que a morte materna deverá ser notificada, e que o não cumprimento dessa norma constitui infração contra a legislação sanitária, ficando o infrator sujeito às penalidades previstas na Lei 6.437/77, que trata das infrações à legislação sanitária federal e estabelece as respectivas sanções. A lei em que o projeto for transformado deverá entrar em vigor após 90 dias da data de sua publicação.
As autoras do projeto argumentam que o Brasil é um dos campeões de mortes maternas no mundo, mas que um programa de prevenção poderá evitar cerca de 5 mil falecimentos anualmente. Segundo as autoras, estima-se que o Brasil tenha taxa de mortalidade materna de 110 mortes por 100 mil nascidos vivos. Para comparação de dados, as autoras citam estudos da Organização Mundial de Saúde (OMS), segundo os quais ocorrem dez mortes maternas por 100 mil nascidos vivos em países desenvolvidos da Europa e da América do Norte.


