Recentemente, documentos secretos da Polícia Civil revelaram um esquema criminoso envolvendo policiais militares do 16º Batalhão da PM localizado do lado do campus Butantã da USP.
O ex-investigador da polícia civil disse sobre o fato: "alguns trabalhos meus, com certeza, o governador, o secretário de Segurança Pública, o delegado geral, o comandante da PM têm ciência (...) esclareci o caso da USP, identifiquei expoentes do crime organizado dentro da favela São Remo e as relações escusas deles com terceiros".
"Mesmo tendo recebido o documento, a Secretaria de Segurança Pública designou os policiais do 16º DP para fazer o patrulhamento na Cidade Universitária" afirmou uma reportagem da rede de televisão Bandeirantes.
O caso da USP é o do estudante Felipe Ramos Paiva, que dirigia um carro blindado e que morreu com um tiro durante uma suposta tentativa de assalto.
O secretário foi o mesmo que em seguida assinou o convênio da USP com a Polícia Militar, que inclusive foi feito utilizando a morte do estudante como pretexto.
Segundo as denúncias, os dois suspeitos de matarem o estudante eram protegidos pelo PCC, que por sua vez paga elevados valores semanalmente para policiais militares do 16º DP que patrulham a Cidade Universitária.
Inclusive, os documentos secretos da polícia civil revelam que as "organizações criminosas terceirizam os assassinatos e agora quem aperta o gatilho são policiais", conforme relatou apresentadores da rede de televisão.
"Os criminosos [que mataram o estudante Felipe Ramos Paiva] estavam envolvidos com o tráfico de drogas [são protegidos pelos traficantes que dominam o tráfico na região]. Tudo é controlado pelo Primeiro Comando da Capital, o PCC, que paga semanalmente elevados valores aos policiais militares que atuam na área [do 16º DP, vizinho à USP]", afirmou a reportagem.
Tanto que na ocasião, a Polícia Militar estava dentro do campus fazendo blitz e não fez nada.
"Por lei, todos os crimes levantados por eles precisam obrigatoriamente ser investigados. Só que quando as denúncias envolvem policiais militares suspeitos de crimes ou que possuam ligação com organizações criminosas que atuam no estado, os relatórios vão para um arquivo", afirmou a mesma reportagem.
Esses documentos revelaram o modus operandi da Polícia Militar no País inteiro e a operação da imprensa capitalista, do reitor e governador do estado utilizando a morte do estudante para colocar policiais militares dentro do campus.
As denúncias revelam também o cinismo da burguesia, da imprensa capitalista (veja, Record, globo) e dos ideólogos da direita que acusaram os estudantes de serem a favor do tráfico de drogas, de querer usar drogas dentro do campus, quando, na verdade, os policiais que o governador do estado colocou lá é que trabalham para o tráfico.
As denúncias também são mais uma prova de que a Polícia Militar não foi colocada na USP para proteger ninguém, já que o próprio secretário de segurança do estado sabia da relação dos policiais do batalhão localizado ao lado da universidade, com as organizações que comandam o tráfico na região.
A famosa desculpa de combate ao tráfico de drogas também cai por terra e vem à tona a estreita relação do governo com a polícia e com o próprio tráfico.
