A greve dos professores das universidades federais completou cem dias na última semana e, ao mesmo tempo, categorias fundamentais, como a dos eletricitários, entraram em greve. Mais de 300 mil servidores federais, de diferentes órgãos públicos, permanecem em greve, mesmo sob a ameaça do governo de corte de ponto dos grevistas.
Há uma tendência geral de mobilização de categorias que há muitos anos ficaram adormecidas, com greves fracas e sem grande duração.
Em meio à tendência geral de greve, aproxima-se a campanha salarial dos petroleiros, outra categoria fundamental, cuja greve tem potencial para causar grandes prejuízos ao governo, e dos Correios.
Nos Correios, a tendência é de uma mobilização enorme, como há muito tempo não se via na categoria, tendo em vista que o setor de oposição derrotou o bloco dos agentes patronais, da Articulação Sindical/PT e do PCdoB.
O governo mantém uma política dura de ataque aos poucos direitos conquistados com muita luta pelos trabalhadores brasileiros. Os trabalhadores dos Correios e outras categorias ainda sentem o duro ataque do governo na última greve tendo seus dias descontados por um ano.
Nessa greve dos professores universitários, o governo do PT propõe um acordo trianual. A proposta é que os professores assinem um acordo com validade de três anos, até 2015. A inflação acumulada para esse período de três anos é de 32%, o que significa que o governo está oferecendo aos professores um reajuste linear de cerca de 10% nos salários durante três anos.
O acordo proposto pelo governo deve ser amplamente rejeitado. A imposição de acordos bianuais ou, como nesse caso, trianuais, é um ataque sem precedentes aos trabalhadores, porque retira da categoria seu direito de greve no ano seguinte. É uma tentativa de impor aos trabalhadores o fim das campanhas salariais anuais e a promoção de um virtual congelamento salarial por três anos. Eis o “plano de austeridade” de Dilma Rousseff na prática.
Nos Correios, os trabalhadores rejeitaram categoricamente o acordo bianual imposto pela direção da ECT, o governo Lula e os sindicalistas pelegos do PCdoB/CTB e da Articulação-PT, tendo a corrente Ecetistas em Luta (PCO), que impulsionou essa luta contra o bianual, levado uma ação à Justiça pedindo a anulação desse acordo e, inclusive, obtendo ganho de causa.
A assinatura de um acordo como este pelo ANDES-SN (Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior - sindicato nacional) dirigido pela Conlutas seria uma das maiores traições – se não a maior –já realizadas contra os professores universitários.



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