Mal a greve começou e tiveram início também a imensa máquina de mentiras da imprensa capitalista.
Logo de manhã, dois incidentes revelaram o potencial de difusão da greve. Na estação Corinthians-Itaquera, que se encontra com a linha Coral da CPTM, os trabalhadores que encontraram os portões da estação fechados, decidiram paralisar todo o transporte público que passava pela Radial Leste, furando os pneus dos ônibus e fechando a avenida. Em razão disso, foram reprimidos violentamente pela polícia. Na estação Jabaquara, também houve protestos.
Segundo a imprensa capitalista, a população estaria revoltada contra os grevistas. Mas não houve absolutamente nenhuma ação por parte dos manifestantes contra os trabalhadores do metrô.
Ao contrário, em todos os locais o que se ouvia era “Fora Alckmin” ou “Alckmin safado”, como aparece em um vídeo divulgado pela própria Rede Globo. Até mesmo o prefeito Gilberto Kassab foi alvo dos protestos.
A versão da imprensa capitalista, que passou o dia todo martelando que a greve era ruim, prejudicial etc. etc. era de que a população se indignou com a greve e por isso os protestos. Mas essa versão é completamente incongruente. Se os trabalhadores estavam indignados com a greve, por que decidiram paralisar a avenida e impedir ainda mais o fluxo de pessoas? Por que as palavras de indignação se voltavam contra o governo do Estado?
A informação era tão incoerente que em outros locais dizia-se que a manifestação havia sido realizada pelos próprios grevistas. Tudo para defender o governo de Geraldo Alckmin e pressionar pelo fim da greve.
Para a população essa foi apenas a gota d’água. Quando não há greve, os trabalhadores continuam enfrentando as péssimas condições do transporte público na cidade, os ônibus e trens lotados, as constantes fahas e quebras dos mesmos. Vale lembrar que há poucos meses, a população apedrejou um trem da CPTM, que depois de incontáveis vezes mais uma vez havia tido problemas e simplesmente parado, causando enormes transtornos a todos. Nessa ocasião, para a imprensa burguesa mais uma vez o governador era inocente e a população criminosa.
A greve dos metroviários não apenas tinha respaldo entre a população, como tinha grande potencial para se espalhar para outras categorias. Ela teve ainda o mérito de revelar a imensa revolta e repúdio da população não à greve, mas ao governo do PSDB em São Paulo, um governo de duros ataques às condições de vida da população.

