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221112 favelas rioBrasil - Diário Liberdade - Dizem que o dinheiro está rolando solto dentro da cidade maravilhosa: obras milionárias, projetos modernos, expansão das vias de transportes, investimentos internacionais entrando a todo vapor, Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, e de vez em quando um filme de Hollywood rodando por lá suas mais perigosas cenas de tiroteios e fugas alucinantes. Mas, qual parte do bolo pertence ao povo?


O Rio de Janeiro se converteu em uma verdadeira feira livre para poucos. Os imóveis não param de subir seus preços, o custo de vida - que está entre as 15 cidades mais caras do mundo, segundo o ranking de 2012 elaborado pela consultoria Mercer-, é cada vez mais absurdo. A ordem é: cariocas, out!

As favelas, baixo ordem de "pacificação", estão vivendo um processo cruel e sutil (aos olhos menos atentos) de limpeza social, conforme mostra o documentário Domínio Público realizado por Fausto Mota, Raoni Vidal e Henrique Ligeiro, filme independente que aborda a especulação imobiliária impulsionada pelo Mundial de 2014 e as Olimpíadas de 2016.  Estão oferecendo comprar as casas dos moradores por valores que, obviamente, não possibilitam a compra de outra moradia em qualquer parte da cidade, quando não os expulsando com ordens de desocupação da prefeitura.

Pois bem, que as moradias das favelas são precárias, tanto em suas estruturas quanto em serviços públicos, todos nós sabemos, mas algum governante se dispôs a fazer melhorias de verdade para as comunidades? A violência governou o Rio de Janeiro durante décadas, e quem se preocupou? O transporte na cidade deve ser melhorado, e quem se apresentou com um bom projeto para os cidadãos? Saúde, serviços sociais, lixo, contaminação das águas, educação...

Porém, parece que sempre em tempos de bonança o povo perde a memória. De repente passamos a ser o futuro, nos venderam que somos a mais nova potência mundial, e dentro de poucos dias já estávamos todos convencidos de que somos tudo isso que dizem que somos. Os governantes tudo isso que se autonomeiam ser. E nós os reelegemos.

A política do pão de circo dos tempos do Império Romano, na qual para reter poder político, o povo recebia trigo e entradas grátis para espetáculos circenses, nunca deixou de ser reproduzida. Caíram os césares, mais alguns aprenderam direitinho o que significa controlar a massa. O trigo da vez para nós brasileiros são os dois grandes eventos internacionais que receberemos nos próximos anos. As obras que a prefeitura e o governador enchem o peito de orgulho para dizer que são iniciativas deles, não foram pensadas para o povo de verdade. São para os que virão. Porque o pessoal da zona oeste, que utiliza o trem controlado pela empresa Supervia, com suas inúmeras irregularidades e um péssimo serviço, não está recebendo o tal legado do Mundial e das Olimpíadas. Até onde sabemos, pobre continua pobre. Sem falar na baixada fluminense, zona do Estado do Rio de Janeiro da qual só se lembram em época de eleição, lá ainda se vê os mesmos problemas de sempre. E enquanto isso, os políticos se preocupam coma publicidade, as obras atrasadas, obras e publicidades que estão recebendo dinheiro público, dinheiro, que por sua vez, deveria estar sendo investido no bem estar e na educação pública, educação [de QUALIDADE] que é direito do povo, mas onde entra o povão carioca nessa historia? Porque os ingressos, meu caro amigo, são para poucos.


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