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081012 votoBrasil - PCO - O resultado das eleições desse domingo revelou de perto a crise política dos partidos da direita, em primeiro lugar, e do regime político de conjunto.


Os dados gerias da eleição revelam com clareza a situação do regime. Do número de prefeituras quem mais elegeu prefeitos continua sendo o PMDB, porém em relação às últimas eleições municipais, esse partido encolheu cerca de 15%. O PSDB, até o momento, foi o segundo que mais elegeu prefeitos. Mas caiu de 792 em 2008 para 684 esse ano. O DEM, por sua vez, foi o que mais perdeu, ganhou apenas 274 prefeituras contra 494 na eleição anterior e já pode ser considerado um partido médio aos padrões do sistema eleitoral, o PSD de Kassab, criado a partir do racha do DEM, obteve 493 prefeituras.

Essa queda acintosa dos partidos tradicionais da direita revelam a evolução do regime político à esquerda. Um dado importante ainda é que a votação do PMDB é a votação do principal partido da base aliada do governo do PT, ou seja, o voto no PMDB não pode ser considerado como um voto conservador "puro sangue", mas uma consequência do próprio espaço que o PT dá ao PMDB. Da mesma maneira, o PSD de Kassab também esteve ligado ao PT e a outros partidos da base do governo federal em várias cidades. A primeira conclusão desse resultado, que ainda é parcial já que haverá segundo turno, é que a burguesia já não pode mais contar com seus partidos para governar. Os partidos da direita estão mortos. A bola da vez são os partidos da esquerda burguesa e pequeno-burguesa.

O PT conseguiu até agora 620 prefeituras e é o único partido entre os grandes que cresceu em número de eleitos. O dado mais significativo, porém, está no número de votos. O PT foi o mais votado do País, com 17,3 milhões de votos. Outro partido da esquerda burguesa com desempenho que chama a atenção é o PSB. O PSB foi o quinto partido que mais elegeu prefeitos, crescendo 41%, com 370 prefeituras.

A votação da esquerda em geral cresceu. O Psol, com a candidatura de Marcelo Freixo, conseguiu quase 30%, com 914 mil votos. No Pará, Edmílson Rodrigues, em uma coligação entre PSTU, Psol e PCdoB, ficou em primeiro e irá disputar o segundo turno com Zenaldo Coutinho do PSDB. A própria imprensa burguesa dáa vitória de Edmilson como certa. Outro partido da esquerda pequeno-burguesa, o PSTU elegeu um vereador em Belém, de carona com a candidatura burguesa de Edmilson. Em Natal, o PSTU elegeu a vereadora mais votada, Amanda Gurgel, com 32 mil votos.

Esse crescimento da esquerda em geral é fator de extrema crise do regime. A burguesia perdeu o controle da situação política ali onde ela tem mais condições de contrlá-la que é justamente o tereno eleitoral.

O crescimento dos partidos médios como o PSB e mesmo o PSD de Kassab também são sinais claros da crise. O modelo bipartidário, mais estável para a burguesia, está em completo colapso.

A tendência à esquerda e a completa falência dos partidos tradicionais de direita, principalmente o PSDB, fica claro na eleição em São Paulo. Mesmo com todo o esforço da imprensa, a candidatura de José Serra não conseguiu nada além dos 30% que sempre teve. Já Haddad, foi para o segundo turno colado no tucano e deve ser o vitorioso na cidade.

O estado é o último reduto do PSDB. A eleição, no entanto, revela que é o fim desse partido que deve perder não só na capital mas nas principais cidades do estado. Na Grande São Paulo, Guarulhos, Diadema, Santo André, Mauá terão segundo turno com o PT sendo o favorito. Em São Bernardo do Campo e Osasco, os candidatos do PT já ganharam no primeiro turno.

No interior, nas principais cidades, com mais de 200 mil eleitores, o PSDB só conseguiu vitória em Santos e Piracicaba e vai para o segundo turno apenas em Sorocaba, Jundiaí, Ribeirão Preto, Franca e Taubaté, sendo que apenas nas duas últimas os tucanos chegam em primeiro lugar.

Em Ribeirão Preto, o candidato do PSDB, Duarte Nogueira, que foi líder da oposição burguesa no Congresso Nacional até fevereiro desse ano, não deve conseguir ganhar da atual prefeita, Darcy Vera, do PSD, que faz uma coligação com partidos da base do governo federal, inclusive o PCdoB.

Em Campinas, cidade que vem de uma crise recente na prefeitura que envolveu a base aliada do PT, o PSDB sequer conseguiu ir para o segundo turno, que será decidido entre Jonas Donizete, do PSB, e Márcio Pochmann, do PT.

No entanto, o destaque é São José dos Campos, sétima maior cidade do estado. O candidato do PT ganhou a eleição no primeiro turno, depois da repressão no Bairro do Pinheirinho, acabou o reinado do PSDB. Perderam no 1º turno depois de mais de dez anos na prefeitura da cidade. Nesse caso fica muito mais evidente a crise da tradicional política da direita. O caso de São José revela que o resultado das eleições não é meramente uma manipulação do sistema político, mas a expressão de uma insatisfação crescente da população contra a política direitista, mais ainda, revela o ascenso das massas trabalhadoras.

Outro dado importante da crise é a enorme quantidade de votos nulos, brancos e abstenções. Em São Paulo, somaram mais de 3 milhões. Para se ter uma ideia, em Criciúma, quinta maior cidade de Santa Catarina, o número de votos nulos atingiu 75% devido ao indeferimento da candidatura do candidato do PSDB, mas que revela também a crise desse partido.

A crise é geral em todo o estado de São Paulo e em todo o País. A falência completa da direita coloca para o PT e demais partidos da esquerda pequeno-burguesa a tarefa de contenção do regime político contra o ascenso das massas. No entanto, esse ascenso também vai levar e está levando esses partidos da esquerda ao colapso.


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