Depois de deixar os bondes de Santa Teresa sem manutenção provocando inúmeros acidentes, entre eles o que causou a morte de cinco pessoas no dia 28 de agosto, o governador do Rio, Sérgio Cabral, está usando a tragédia para aprofundar o processo de privatização do transporte público da cidade.
No dia 28 de setembro, quarta-feira, o interventor nomeado por Cabral para administrar o sistema de bondes, Rogério Onofre, anunciou que o meio de transporte passará por uma reforma completa que vai de obras para refazer os trilhos até a rede elétrica; os próprios bondes serão substituídos por novos.
No entanto, a reforma não busca dar um transporte público de melhor qualidade para os milhares de trabalhadores de Santa Teresa que o usam para chegarem até regiões mais próximas do Centro. Pelo contrário, a reforma, embora o governo e a imprensa capitalista procurem esconder, faz parte de um processo de privatização.
A intenção é que junto com a reforma, a linha seja estendida até o Corcovado, tornando o trajeto uma das atrações turísticas da cidade do Rio de Janeiro. Mas ao se tornar uma atração turística a passagem também seria elevada, tornando o bonde inviável para que os trabalhadores o use todos os dias como acontece atualmente.
Neste caso, adota-se o mesmo procedimento comum a todas as privatizações. Investe-se dinheiro público em um determinado setor, no caso no sistema de bondes, e depois este é repassado para os capitalistas que sem custos recebem toda a infraestrutura para lucrarem com o novo empreendimento. Nos bondes de Santa Teresa, por exemplo, serão investidos mais de R$ 31 milhões do Governo Federal.
Se for colocada em prática, a privatização dos Bondes de Santa Tereza, assim como aconteceu com o restante do sistema de transporte entregue aos capitalistas, irá contribuir para dificultar a locomoção dos trabalhadores. Um dos efeitos inevitáveis da privatização do bonde de Santa Tereza será sua "elitização", e os trabalhadores que o usam com regularidade terão que recorrer a outros meios para chegar ao trabalho e voltar para casa.

