"Nós temos muitos acampamentos, uma demanda de agricultores sem terras muito grande e não se avança no acesso a terra, que se concentra cada vez mais", afirma Clarisse Rodrigues, da coordenação do Movimento dos Sem Terra no Ceará. Ela esteve em Bruxelas, na Bélgica, participando do Encontro Europeu dos Amigos do MST, que aconteceu de 13 a 16 de outubro.
Nos primeiros oito meses de governo, 1949 famílias foram assentadas, número muito inferior ao mesmo período do primeiro mandato do governo de Luís Inácio Lula da Silva. De janeiro a agosto de 2003 foram assentadas 12.022 famílias.
Os dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) confirmam também a concentração de terras: enquanto que 112 mil proprietários detinham 215 milhões de hectares de terra em 2003, sete anos mais tarde, em 2010, 130 mil proprietários possuem 318 milhões de hectares.
Na análise do MST, o momento de crescimento econômico no Brasil faz com que até mesmo os partidos de esquerda não vejam mais a distribuição de terra como uma forma de diminuir a desigualdade social no país. De acordo com o último censo agropecuário do IBGE , publicado em 2009, a estrutura agrária brasileira, caracterizada pela concentração de terras em grandes propriedades rurais não se alterou nos últimos vinte anos.
"A concentração de terras hoje no Brasil é maior do que no período da ditadura militar e a perspectiva de que isso mude no governo Dilma... não sei... o nosso grande desafio é recolocar a Reforma Agrária na pauta", desabafa Clarisse Rodrigues.
Assentamentos
De acordo com o INCRA, 923.609 famílias estão assentadas em 8.763 assentamentos. Dessas...
170 mil famílias não possuem água potável
470 mil famílias não possuem estradas que deem acesso ao assentamento
150 mil famílias não possuem energia elétrica
121 mil famílias vivem em moradias provisórias
583 mil famílias não tem acesso à assistência técnica
256 mil pessoas são analfabetas
Fonte: MST/Relatório interno do INCRA

