Em contato com o movimento, o governo do Estado se comprometeu a marcar reunião para debater o caso, porém, preferiu pedir ação de reintegração de posse. Frente a isto, o MST anuncia que irá resistir até que as mil famílias acampadas em todo o Estado tenham acesso a terra.
"Despejar é tratar como caso de polícia uma questão que é social, por isso vamos resistir, já estamos fazendo barricadas. O governo ainda disse à imprensa que não tem resolução para o nosso caso; nos ofereceu no mês passado uma área desprivilegiada de 350 hectares, onde famílias já estão acampadas, mas que não é suficiente para resolver o problema da terra. Leva a reforma agrária a passo de tartaruga, em abril prometeu assentamento para 550 famílias e não fez nada até agora", denunciou João Paulo da Silva, membro da coordenação do MST no estado do Rio Grande do Sul.
O militante destaca que não há nenhuma cultura plantada em boa parte da área da Fepagro, nem pesquisas, que seria o propósito das terras. Ao invés disso, 130 hectares de terra pública são arrendados há mais de 17 anos para plantação de arroz convencional, fazendo-se fumigação aérea de agrotóxicos.
Em carta, o MST critica o uso de agrotóxicos, informando que as aplicações ocorrem nas proximidades do Assentamento Conquista Nonoaiense e a Vila Progresso. "É sabido que o uso de agrotóxicos causa prejuízos à saúde humana, como o desenvolvimento do câncer, depressão e outros problemas", alerta o movimento, explicitando que a população corre perigo.
O governo afirmou ainda que pretende desenvolver pesquisas com arroz ecológico. Frente a isto, João Paulo ressalta que o MST já trabalha com esta cultura e seria ideal uma parceria. "As famílias do MST já detém esse conhecimento, então queremos que seja feito um assentamento na área e haja uma parceria para pesquisas", declarou.
Segundo o movimento, a proposta foi bem recebida pelo diretor da Fepagro de Eldorado do Sul, Maurício Dasso, que admitiu que parte da terra está sendo arrendada e demonstrou interesse em ceder a área para pesquisa em arroz ecológico.
O MST argumenta que, caso seja criado assentamento no local, toda a comunidade será beneficiada, pois terá acesso a alimentos baratos e saudáveis.
Apenas no Rio Grande do Sul, 400 famílias do MST que já foram assentadas produzem atualmente 3.800 hectares de arroz orgânico, produção destinada à merenda escolar e cestas básicas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A safra prevista para 2011 e 2012 é de 350 mil sacas.

