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080912 dilmaBrasil - Fazendo Media - [Fábio Nogueira] Sem nenhuma alteração, conforme anunciado pela presidente Dilma, foi sancionada a lei de cotas nas universidades públicas federais. As vagas serão reservadas para todos os alunos da rede pública, sendo que 50% com recorte étnico-social (negros e índios). Uma lei que há anos estava no congresso nacional.


Não conformada com a derrota no Supremo Tribunal Federal, onde as leis de cotas foram dadas como constitucionais, a burguesia sempre bem informada e organizada tratou de sair às ruas para mostrar sua inconformidade contra lei. Os motivos para tanto protesto foram os mesmos de dez anos: igualdade, uma educação de qualidade e meritocracia. As universidades brasileiras esquecem ou fazem de esquecidas sobre um ponto muito importante: na formação de futuros formadores de opiniões e o trabalho com a cidadania, porque ter um diploma não é tudo. Ele pode abrir ou fechar as portas, caso o graduado não fizer jus ao diploma.

A burguesia tem alto poder de influência e tudo o que for dito por ela pode ter um efeito em toda sociedade, e infelizmente a população refém de informações pega carona nessa onda e repete o mesmo discurso das classes dominantes. As mesmas que quando prevêem que seus privilégios serão repartidos saem às ruas para poder garantir seu status dominante, e o povo mal informado segue os mesmos passos achando que este grupo social tem toda razão.

Não podemos conviver numa sociedade igualitária, onde os próprios excluídos continuam sem saber quais são os seus direitos. O pior de tudo é quando eles caem na armadilha de certos formadores de opiniões, que aproveitam a desinformação dessas pessoas para promover os piores tipos de mentiras para que eles mesmos (o povo) não sejam beneficiados.

Mesmo com os ótimos resultados que os alunos cotistas e prounistas vêm demonstrando nas universidades, a burguesia chora não conformada em dividir os mesmos espaços com aqueles que um dia não sonhavam entrar em uma universidade. A mesma academia brasileira que foi criada para atender os bastardos nunca se voltou para o povo, sempre ficou no domínio das elites. Precisamos exigir a educação dos nossos governantes, mas sabemos também que nada se resolverá em menos de 30 anos. Ou seja, serão três gerações comprometidas. Devemos aproveitar o momento para começarmos a trabalhar uma educação melhor, e por fim não haver mais cotas. Lembre-se: as cotas nunca serão eternas. Futuramente não precisaremos mais delas.

O pior de tudo isso é o falso argumento por trás de todo esse manifesto. A Velha Mídia Burguesa Brasileira (VMBB), como sempre convoca seus mais influentes intelectuais para dizer que todo arranjo é um complô do governo para instaurar as lutas entre classes e etnias. Pura mentira. A luta por uma sociedade mais justa não é de agora, e não terminará por aqui. Será longa, muito longa.

É estranho como nosso país parece não querer viver numa diversidade cultural. As cotas abrem um leque para vários assuntos pertinentes em nossa sociedade, e simplesmente evitamos falar para não ficar mal perante a sociedade. Certa jornalista muito conhecida, de um periódico de grande circulação, foi muito criticada até pelos seus colegas de redação por se posicionar a favor das cotas. Mas ela se manteve firme na sua posição.

A luta de palavras não terminará por aqui. Viva a democracia que proporciona o debate.

Em sua visão vanguardista, o abolicionista Joaquim Nabuco dizia uma frase ainda muito atual:

“(…) acabar com a escravidão não nos basta; é preciso destruir a obra da escravidão”.

Nossas mentes parecem não libertas da obra de domínio do ser humano sobre o outro, um tipo de escravidão muito ativa. O poder quando mal usado torna-se perverso, e quando os mais humildes de pensamento não percebem o perigo se tornam uma presa muito fácil de dominar.

Numa palestra na USP, a filósofa Marilena Chauí definiu o medo da classe média que um dia pode ser tornar parte do proletário. E, ao contrário, os proletários podem ocupar os mesmos espaços até então dominados pela classe média. E a única forma de impedir esse avanço será através da ideologia, ou, em outras palavras, pela dominação.

Como a palavra diz, a classe média vive no meio termo e seria incômodo para ela dividir o bolo com aqueles que querem conquistar o seu direito de igualdade. E para que se torne realidade, a população periférica precisará contra atacar com uma arma que a classe média tem domínio: a informação.

Se todos pensarmos pelo senso comum, as cotas universitárias nunca passariam pelo STF. Foi uma luta de várias forças de uma sociedade sedenta de justiça.

(*) Fábio Nogueira é militante da Educafro e estudante de História da Universidade Castelo Branco. e-mail fabionogueira95@yahoo.com.br


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