Publicidade
Publicidade
first
  
last
 
 
start
stop
1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 (0 Votos)

081012 tvBrasil - Jornalismo B - O Jornalismo B volta ao ar depois de duas semanas conhecendo as experiências de mídia na Venezuela.


Lá, como em outros países da América Latina, a democratização da comunicação avança em um pacto entre governos progressistas e a instituições da sociedade organizada. O exemplo mais citado por todos os lados é a Argentina, onde uma Ley de Medios, já em vigor, é passo importante na derrubada do monopólio do Grupo Clarín.

Para que no Brasil possamos pressionar o governo e avançar, é importante conhecer as experiências de nossos vizinhos. O problema dos monopólios de mídia é mundial, e um dos mais importantes limites impostos à realização de verdadeiras democracias políticas, econômicas e sociais.

No Brasil, o aumento de consumo da população – baseado fortemente em crédito – não se reflete com profundidade em avanço dos direitos sociais, em empoderamento popular. Um desses direitos é o direito à comunicação. Se tudo indica que a popularização da banda larga pode ser estimulada pelo governo federal nos próximos anos, temos poucas perspectivas de outras mudanças significativas no quadro de forças da mídia brasileira.

Da mesma forma com que o governo federal não tem qualquer interesse em contrariar latifundiários e grandes empresários de qualquer setor, também busca manter um clima amistoso com a mídia dominante, que tanto o ataca. Sabe que os ataques poderiam ser ainda mais pesados, e que fatalmente ocorreria caso houvesse qualquer tentativa de democratizar a comunicação, coisa que a grande mídia prefere chamar sempre de censura, cerceamento ou outros termos que invertem a realidade, o sentido e a ordem das ações.

Da mesma forma com que tenta conciliar agricultores sem-terra e latifundiários, sem-teto e especuladores imobiliários, o governo brasileira tenta conciliar a mídia hegemônica com a alternativa, os jornalões e as grandes redes de televisão com os blogueiros. E, de certa forma, tem razão: a expansão da banda larga, caso se confirme, acalmará os ânimos de uma boa parte da militância comunicacional petista, embora setores relevantes dessa militância – e toda a militância midiática de esquerda – não vá se conformar com essa conciliação que só atende verdadeiramente aos interesses dominantes.

Na Venezuela, o que há é um enfraquecimento dos meios privados de comunicação – se não tanto na audiência, ao menos na forma com que essa audiência percebe o conteúdo transmitido. Esse enfraquecimento se dá através de uma forte e progressiva politização do povo, e do estímulo real à alternativas reais. Não complementos midiáticos, mas alternativas. Emissoras comunitárias de televisão, rádios comunitárias (que saíram de zero, há dez anos, para cerca de quatrocentas atualmente), e veículos estatais fortes, comprometidos com um jornalismo político não neutro, mas que faz um contraponto radical às mentiras e ataques dos meios privados, ligados ao capital internacional e às elites nacionais.

Tanto na Venezuela quanto na Argentina existem situações específicas, mas o que há de comum entre elas é que, apesar da multiplicação dos ataques da grande mídia contra os governos de Cristina Kirchner e Hugo Chávez, o povo passou a ter acesso à produção e divulgação de conteúdo, a mídia vai se democratizando, e esse empoderamento dá, também, sustentação à outras medidas populares e progressistas de governos interessados nesse processo. São opções: aliar-se às elites ou ao povo? Aos grandes empresários da comunicação ou aos comunicadores populares, alternativos e independentes?

O caso específico da Venezuela será tratado com mais profundidade em próximos textos neste mesmo espaço, mas é válido encerrar este post com uma declaração de Wilfredo Vásquez, um dos fundadores da Cátia TV, principal emissora comunitária da Venezuela, parceira da Revolução Bolivariana mas extremamente crítica ao chavismo: Não quero falar de Lula, mas ele deveria tomar o que está acontecendo aqui como exemplo, e abrir espaço para os meios comunitários. O Brasil avançou, mas os meios alternativos e comunitários não têm apoio. Acredito que é um momento em que os movimentos sociais devem lutar por isso.


Diário Liberdade é um projeto sem fins lucrativos, mas cuja atividade gera uns gastos fixos importantes em hosting, domínios, manutençom e programaçom. Com a tua ajuda, poderemos manter o projeto livre e fazê-lo crescer em conteúdos e funcionalidades.

Microdoaçom de 3 euro:

Doaçom de valor livre:

Última hora

first
  
last
 
 
start
stop

Quem somos | Info legal | Publicidade | Copyleft © 2010 Diário Liberdade.

Contacto: info [arroba] diarioliberdade.org | Telf: (+34) 717714759

Desenhado por Eledian Technology

Aviso

Bem-vind@ ao Diário Liberdade!

Para poder votar os comentários, é necessário ter registro próprio no Diário Liberdade ou logar-se.

Clique em uma das opções abaixo.