Depois que o Poder Judiciário, através do STF, julgou constitucional as cotas raciais nas universidades brasileiras, o retardatário e conservador Senado Federal também aprovou, nesta quarta-feira, dia 6 de junho, o projeto que cria cotas sociais e raciais para o ingresso de estudantes nas universidades públicas federais.
A proposição veio da petista Ana Rita, do Espírito Santo, e prevê a adoção de critérios de acesso ao ensino superior para alunos egressos de escolas públicas, renda familiar e raça.
Se bem analisado, a aprovação da proposta tem o sentido de mostrar que o Senado Federal, alvo de dezenas de acusações de toda sorte de crimes, teria alguma importância para o povo negro brasileiro.
Tanto é assim que os senadores favoráveis à mudança lembraram que o Supremo Tribunal Federal (STF) já reconheceu a validade das cotas sociais e raciais que, por lei, devem existir nas por universidades públicas há pelo menos 10 anos.
Ora, então por que razão o Senado Federal não aprovou as cotas antes do STF, que tinha o dever secundário de fazê-lo? Isso se deu em virtude do Senado ser um antro de latifundiários, capitalistas e racistas de plantão. E o Partido dos Trabalhadores capitulou diante da pressão dessa bancada no Congresso Nacional, tendo o projeto da senadora ficado parado por anos. Assim, depois da decisão do não menos conservador STF ficou mais “fácil” encaminhar a votação da proposta.
A direita esperneia
Os direitistas do Senado Federal deram o famoso chilique contra a aprovação das cotas raciais na CCJ. Assim, o líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), e os senadores Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e Lobão Filho (PMDB-MA) votaram contra o projeto.
Para não falarem que não querem negros na universidade, a direita se apeou ao “critério social”. Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) afirmou que “eu vou votar contra porque, no meu entender, os brancos pobres não são devedores dessa dívida histórica”.
O argumento é o mesmo utilizado por toda direita dentro e fora do Congresso Nacional. De que o critério social basta para a aplicação das cotas, e os negros que se virem.
Essa ideia visa mascarar a o racismo no impedimento de negros cursarem ensino superior, por isso é apresentada pela direita. PSDB, DEM e recentemente a chapa Reação da USP (Universidade de São Paulo) defendem a mesma coisa. Com menos requinte e mais deboche, Instituto Millenium e Demétrio Magnoli chegam a dizem que nem mesmo existem negros.
As cotas para negros nas universidades públicas é uma plataforma já antiga do movimento negro organizado. Se colocar contra essa luta, seja por qual argumento for, é se colocar contra o movimento negro e contra a população negra como um todo, finalmente. Além de fazer coro com a maior assassina, contraventora e corrupta da história política nacional, que é a direita.

