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ezln2México - Diário Liberdade - [San Cristóbal de las Casas, Kaos en La Red] Chiapas, 21 de fevereiro de 2013. Como funciona o cerco informativo contra o zapatismo em Chiapas?


Nestes dias de intensos comunicados zapatistas que foram publicados de modo fragmentado, inclusive em alguns casos foram publicados de modo integral nos meios nacionais e internacionais, entretanto, pode-se percorrer Chiapas e não se inteirar de tais comunicados, salvo se está próximo algum movimento social e tenha conhecido alguma mídia livre local.

Em Chiapas, nestes últimos dias, a imprensa local não está publicando quase nada sobre o zapatismo, apesar da massiva mobilização dos zapatistas que ocorreu dia 21 de dezembro, no qual quase 50 mil zapatista tomaram pacificamente cinco cidades de Chiapas, e das intensas publicações cujo volume até esta data chega à 120 folhas, 34.803 palavras e 205.471 caracteres.

Alguns jornais nacionais chegaram com poucos exemplaras a 3 ou 4 das principais cidades de Chiapas com um incremento de ao menos 50% pelos gastos de frete, custando cerca de 15 pesos cada exemplar, enquanto os jornais locais custam entre 5 e 7 pesos por exemplar.

Se não é notícia a mobilização de 50 mil zapatista em cinco cidades de Chiapas, então o que poderia ser notícia? Não é notícia o pronunciamento de centenas ou milhares de comunidades insurgentes que ocupam parte do território chiapaneco que equivale ao território de El Salvador? Não é notícia que um dos exércitos insurgentes que sobrevivem no continente tenha se pronunciado? Não é notícia a construção de um processo autônomo em 5 regiões de Chiapas que já construíram seus próprios sistema de saúde, educação, que tomaram os meios de produção e se autogovernam? Tampouco são notícias cotidianas e sistemáticas agressões governamentais e paramilitares contra as comunidades zapatistas. Nem precisamos falar das outras organizações indígenas e camponesas de esquerda independente que tampouco são notícias, nem os graves crimes contra humanidade que os governos e paramilitares cometeram contra as comunidades ano após ano.

Uma ou outra pessoa pode viver ou visitar Chiapas sem que ao menos se inteire pela imprensa local da nova iniciativa zapatistas que está sendo formulada nestes dias. O bloqueio informa contra o zapatismo em Chiapas é muito bruto, cumprindo o papel de isolar ao zapatismo frente a população local que não participa do processo de luta zapatista.

Se bem que em outras partes do país, os cercos informativos contra os movimentos sociais buscam desprestigiá-los; em Chiapas, a imprensa chiapaneca finge que estes não existem, não falam dos movimentos sociais, nem bem, nem mal, simplesmente ignoram. Colocaram na página principal o dia-a-dia do governador atual, que após deixar o cargo será acusado de corrupção, como após o fim de todos os períodos anteriores de governo, mas, enquanto isso não ocorre, fornecem tratamento de rei atual.

Apesar de saber que historicamente o governo chiapaneco tem comprado toda a imprensa local, foi surpreendente dia 22 de dezembro nas bancas de jornais e notar que abundam notas sobre a visita do governador a algum lugar e que as notas e fotos da massiva mobilização zapatista brilharam pela sua ausência. Nos dias seguintes, 23 e 24 de dezembro, nada foi publicado.

Houve algumas exceções, por exemplo o "Quarto Poder" que na página principal incluiu uma nota de seção que balbuciava: "Chegam milhares de zapatistas" e dedicava uma página e duas fotos no interior. Por sua parte, o jornal "El Sie7e" colocou a nota na sua página principal com uma foto de página completa de uma zapatista com o punho no alto, e o título principal dizia: "EZLN marcha em silêncio"; além da página principal, o jornal dedicou mais duas páginas e outras 5 fotos.

Daí em diante, a imprensa chiapaneca ficou em silêncio e não foi porque a nota não venderia. Segundo os vendedores de periódicos, a edição do "Sie7e" se esgotou rapidamente, não havia então desinteresse do povo sobre a note, senão que segundo a mecânica histórica da imprensa em Chiapas, o silêncio da imprensa custa e o governo do estado lhes paga sem falta. Depois destes dias, somente dois pequenos jornais locais publicaram os comunicados: "Mirada Sur" e "Expresso Chiapas".

Esse profundo silêncio na imprensa local vem desde o levantamento zapatista, e até mesmo desde décadas antes quando periódicas e frequentemente deixavam de publicar as notícias dos abusos dos fazendeiros e autoridades contra a população indígena e camponesa.

A partir do início do sexênio de Juan Sabines (2006 – 2012), o governo de Chiapas foi além da tradicional compra da imprensa local e lançou um bilionário contrato publicitário para comprar a imprensa nacional que tradicionalmente publicava informação sobre as comunidades e movimentos sociais em Chiapas, em particular sobre o zapatismo. Essa tática de bloqueio informativo tem sido paradigmática no caso da compra de espaços publicitários nas páginas no diário "La Jornada", no qual antes se publicavam denúncias de Chiapas, e hoje em dia aparecem como notas assinadas pela redação nos boletins saídos do Instituto de Comunicação Social de Chiapas.

Para romper este bloqueio informativo, as e os zapatistas montaram uma rede de rádios comunitárias que abarca boa parte do território liberado, e que difundem notícias, análises e músicas sobre o processo de luta zapatista. Eles se complementam com a página na internet de "Enlace Zapatista", que é a voz do zapatismo ao exterior: http://enlacezapatista.ezln.org.mx/

Por parte do lado da sociedade civil, existe sempre um jovem, e ainda que pequeno, movimento de meios livres desde 2001 que vai sistematizando e coletando informação em pequena escala, mas que não poucas vezes fazendo uso da internet, e alguns meios vão ao ar, conseguem ir quebrando o bloqueio informativo. No entanto, faz falta ainda um meio fora da internet que cheguem aos bairros e comunidades urbanas, assim como nas comunidades mais distantes, no qual não há acesso à internet, nem sinais pelo ar. Faz falta não somente conseguir que a informação seja conhecida nacional e internacionalmente, mas também localmente.

Desnecessário dizer que esses pequenos meios livres são os que estão difundindo dia após dia os comunicados zapatistas, assim como as denúncias dos últimos anos. Apesar deles, algumas pessoas podem ir hoje, vivendo ou visitando Chiapas, não se inteirar das recentes séries de comunicados zapatistas.

Fonte: http://www.kaosenlared.net/america-latina/item/47987-el-cerco-informativo-contra-el-zapatismo-en-chiapas.html


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