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bandera-mapucheMapuche - Nationalia - [Tradução do diário Liberdade] Os grevistas reivindicam a derrogação da Lei antiterrorista e um julgamento civil. Incidentes durante a visita do presidente chileno ao território mapuche. Várias comunidades recusam uma iniciativa governamental de diálogo porque não encara a questão da devolução das terras e a autonomia.


Quatro presos mapuches que há mês e meio que mantêm uma greve de fome para protestar contra a legislação chilena foram internados no hospital devido ao seu mal estado de saúde. Paulino Levipán, Daniel Levinao, Rodrigo Montoya e Erick Montoya, internos da prisão de Angol, cumprem penas de prisão (os dois primeiros) ou estão imputados à espera de julgamento (os dois últimos) por supostos homicídios frustrados de polícias chilenos.

Os processos fazem-se mediante o código da justiça militar, tal como prevê a Lei antiterrorista chilena, que data da época da ditadura de Augusto Pinochet e que foi reformada mas não derrogada. Os grevistas reclamam, precisamente, que a lei seja cancelada e que os seus julgamentos sejam civis: os processos militares têm como consequência penas de prisão mais longas, e o movimento político mapuche está convencido que o Chile mantém em vigor a Lei antiterrorista para reprimir as demandas dos ativistas indígenas.

A questão chegou a várias instâncias internacionais. Assim, por exemplo, o eurodeputada Ana Miranda (Bloco Nacionalista Galego) e a Organização de Nações e Povos não Representados (UNPO) enviaram uma carta ao presidente chileno, Sebastián Piñera, em que lhe pedem o compromisso para procurar uma "solução humanitária" à greve de fome. Uma greve, dizem os assinantes, que se deve à "situação intolerável" que padece o povo mapuche no Chile.

Confrontos entre a polícia chilena e os manifestantes mapuches

A situação dos quatro presos gerou um movimento de solidariedade entre os mapuches de Chile, que levaram a termo várias manifestações e protestos ao longo dos últimos dias. Numa manifestação em Concepción -a cidade onde fica o hospital em que estão internados os grevistas-, houve incidentes entre os manifestantes e a polícia, com o resultado de quatro pessoas detidas -entre elas, duas das mães dos presos.

E em Ercilla, um grupo de ativistas mapuches exigiram ao presidente de Chile, Sebastián Piñera, a libertação dos presos e qualificaram-no de "terrorista e covarde". A polícia impediu o protesto dos ativistas, oficialmente para garantir a segurança do mandatário, quem replicou dizendo que os presos em greve de fome são "um punhado de bandidos".

Piñera encontrava-se em Ercilla para participar na primeira sessão da mesa de trabalho da Área de Desenvolvimento Indígena (ADI) desta localidade, um organismo criado neste mês de outubro pelo p governo chileno para canalizar o diálogo com os mapuches. Mas há cinco comunidades mapuches de Ercilla (de um total de 42) que não quiseram fazer parte da ADI porque consideram que o novo organismo não aborda o fundo do conflito, que é a devolução das terras ao povo mapuche e o estabelecimento de alguma forma de autogoverno para este povo originário.


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