A Organização das Nações Unidas para a Infância (Unicef), no seu balanço do ano 2009 informou que em Cuba não existem problemas de desnutrição infantil severa. Converte-se assim no único país da América Latina em conseguir semelhante meta.
José Juan Ortiz, representante desse organismo em Havana, aceitou conversar com BBC Mundo sobre esta e outras particularidades dos meninos cubanos.
Segundo a sua opinião, o que ocorre em Cuba deve-se a que "há uma vontade política" no país.
Afirma que inclusive a desnutrição infantil é menor que em países do Cone Sul com economias mais fortes e explica que "nos extremos da América Latina estão Guatemala com o maior problema e Cuba seria o país no que está mais controlado".
Até que ponto Cuba consegue evitar a desnutrição infantil?
A desnutrição severa não existe em Cuba embora há alguns focos nas províncias orientais e nos bairros de Havana com menor desenvolvimento, sobretudo em casos de gravidezes de adolescentes. No entanto, estão muito controlados pelos programas de luta contra a anemia e de atendimento às grávidas. Também existe um programa de deteção de casos desde a primeira infância nas escolas.
De todas formas estamos a atacar estes focos com um programa dirigido a 24 municípios e um orçamento de US$8,5 milhões. Com a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação) trabalhamos para melhorar os hábitos alimentícios dos cubanos, já que em Cuba se come mal.
O mudar hábitos culturais na nutrição ajuda porque algumas das carências que detetamos não se devem à falta de alimentos senão ao seu mau uso.
Como confirmam vocês que estes dados são objetivos?
Em Cuba o nosso trabalho é muito fácil. A sociedade tem boa capacidade técnica e a análise estatística é tão profunda que sabemos exatamente onde estão os focos e as necessidades. Por outra parte, nós trabalhamos no terreno e portanto conhecemos a realidade específica, não só dependemos do que nos dizem.
Não poderia o governo cubano estar a enganá-los?
Não, nem somos tão tontos nem o governo cubano é tão mau. Os dados constatamo-los exatamente igual que em qualquer outro país, usamos a mesma metodologia em Cuba que em Guatemala, Zambia ou no Estado espanhol.
Na segunda-feira saio para as províncias orientais e Camagüey para controlar os programas no terreno, reunimo-nos com o Poder Popular, com os ministérios e com os utentes, isto é com a população. É difícil que não conheçamos a realidade quando de 24 servidores públicos de Unicef, 22 são cubanos e todos têm filhos ou sobrinhos.
Que outras particularidades teriam os meninos cubanos?
O primeiro benefício é a educação. No médio prazo a Unicef tem como objetivo conseguir a igualdade de género na escola. Em Cuba conseguiu-se há um monte de anos, a escolarização é a 100%. Há programas educativos de 0 a 3 anos e até a Universidade é gratuita.
Depois a Saúde, garantida aos meninos e meninas, desde antes de nascer, com o controlo da saúde materno-infantil. A situação é paradigmática neste terreno sendo um país do sul.
Aqui não há nenhum menino na rua. Em Cuba os meninos são ainda uma prioridade e por isso não sofrem as carências de milhões de meninos da América Latina, trabalhando, explodidos ou em redes de prostituição.
Você utiliza a palavra "ainda", Será que essas conquistas poderiam perder-se?
É indubitável que a situação económica é muito dura, a crise afeta todo o planeta e Cuba de uma maneira brutal. Mas saliento que "ainda" em Cuba a situação da infância é melhor que na maioria da região.
Alguns dizem que a educação é uma forma de doutrinar os meninos cubanos.
Os meninos e as meninas têm o direito a ser protegidos e portanto o Estado e a família têm de velar por eles. Não há nenhum Estado que não ideologize os seus filhos, uns persignándo-se e outros dizendo "seremos como o Che".
A direção na educação existe em todos os sistemas educativos, a ideologização do menino em todos os países dá-se desde que nasce até que morre. O Estado e a Família diz-nos o que é bom e o que é mau.
Que ocorre com os adolescentes cubanos, estão protegidos também?
O repto em Cuba é grande porque se trata da geração que nasceu no Período Especial (crise dos 90), a eles tocou-lhes a época dura. É necessário priorizar a saúde, porque ainda não conseguimos reduzir a gravidez adolescente em Cuba, apesar de ter preservativos e informação.
Que níveis de prostituição e suicídio há entre os adolescentes?
Há níveis de prostituição menores que os dos países que detetamos como "situação grave". Esse é outro dos estereotipos radicalmente injusto, criminalizando a situação cubana. O número não é especialmente alto.
Não posso dar as cifras mas conhecemo-las porque estamos a trabalhar junto com o Ministério do Interior em centros de educação integral para menores.
Com respeito ao suicídio não tenho informação mas posso assegurar que o nível de suicídio juvenil cresceu em todo mundo, mas é um problema maior nos países desenvolvidos.
Quais seriam os reptos no futuro?
Em base à capacidade técnica do país poder-se-ia avançar muito na qualidade a todos os níveis, na educação, na saúde, qualidade de vida, qualidade de desfrute de todos os direitos. O que já se conseguiu há que o melhorar e o consolidar.


Diário Liberdade defende a discussom política livre, aberta e fraterna entre as pessoas e as correntes que fam parte da esquerda revolucionária. Porém, nestas páginas nom tenhem cabimento o ataque às entidades ou às pessoas nem o insulto como alegados argumentos. Os comentários serám geridos e, no seu caso, eliminados, consoante esses critérios.