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chiapasMéxico - ADITAL - [Tatiana Félix] Mais uma vez uma organização social mexicana denuncia a situação de repressão e violações de direitos humanos no território de Chiapas, no México.


Na semana passada, o Centro de Direitos Humanos Frei Bartolomé de las Casas (Frayba) divulgou o informe "Entre a política sistêmica e as alternativas de vida" – Informe sobre a situação dos direitos humanos em Chiapas durante os governos federal e estadual 2006-2012, que demonstra como nos últimos seis anos o governo vem aprofundando "sistematicamente" as ações repressivas e violações de direitos humanos através de políticas e projetos de 'desenvolvimento'.

Dividido em quatro capítulos, o documento destaca que os 'projetos de desenvolvimento' do governo na verdade provocam o 'despejo territorial e o genocídio dos povos, aprofundando as divisões do tecido comunitário, da associação dos integrantes das comunidades que lutam' e frearam os processos autônomos que se constroem aos poucos no território de Chiapas. "Diante disso, os povos organizados defendem o território como parte de sua autonomia, estrutura simbólica, espiritual e material de seu povo", explica.

Além disso, o relatório denuncia que sob o argumento da segurança, o governo vem utilizando mecanismos de controle territorial através da militarização do país, o uso da tortura como método de investigação, o aumento de assassinatos e de pessoas que desaparecem forçadamente. Também são destacadas as 'ações repressivas contra as comunidades e povos que resistem e reivindicam direitos específicos', e "em particular agressões ao território das Bases de Apoio do Exército Zapatista de Liberação Nacional (BAEZLN), como continuidade da estratégia contra-insurgente implementada pelo governo mexicano".

Sobre o conflito armado interno em Chiapas, o documento afirma que neste sexênio se caracterizou pela "contínua e ampla presença militar", sobretudo nas comunidades indígenas na zona de influência do Exército Zapatista de Liberação Nacional. De modo geral, o relatório também mostra que a liberdade de expressão e a defesa dos direitos humanos continuam se realizando em "um contexto de guerra", já que são constantes a perseguição aos líderes sociais e a criminalização do protesto social, e o assédio e a perseguição de defensores/as de direitos humanos. "Isso nos fala de um Estado repressor com métodos de controle social ao povo organizado", analisa.

O documento afirma que no último sexênio foi cada vez maior a brecha entre os direitos reconhecidos aos povos indígenas e a colocação em prática destes direitos, demonstrando que o reconhecimento fica só na teoria. Para o Frayba, o governo do Partido Revolucionário Institucional (PRI) conhecido por ser 'repressivo, demagógico e controlador da vida dos cidadãos' contribui para essas violações de direitos humanos.

Para fazer frente a essas violações, o informe destaca que as comunidades "se organizam desde a memória e em construção de alternativas que reinventam novas e boas formas de vida na defesa e exercício efetivo de seus direitos como povos" e que os povos em resistência seguem na defesa de seus territórios.

Mais informações: http://www.frayba.org.mx/.


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