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Agenda-Colombia-dhColômbia - ADITAL - [Natasha Pitts] No contexto do Dia Internacional do Detido Desaparecido, celebrado ontem (30), o Tribunal Internacional sobre a Infância Afetada pela Guerra e a Pobreza decidiu denunciar as desaparições forçadas do passado e do presente na Colômbia, na tentativa de ajudar a colocar um fim neste crime que viola os direitos humanos.


Por meio de documentários e curtas-metragens que podem ser assistidos no youtube buscam explicar a situação com mais clareza.

O Tribunal Internacional denuncia que neste país há mais de 30 mil desaparecidos, resultado de uma prática sistemática de crimes de Estado praticados nos últimos 20 anos. Se forem levados em consideração dos últimos 50 anos, tempo de duração do conflito armado interno no país, até a atualidade, este número sobe para 60 mil.

Esta cifra que segundo o promotor internacional de direitos humanos e presidente do tribunal de consciência com sede na União Europeia, Faisal Sergio Tapia, é superior à soma dos desaparecidos em todas as ditaduras da América Latina.

Entre as principais vítimas apontam dirigentes sociais, campesinos/as, defensores e defensoras de direitos humanos, jovens, homens e mulheres comprometidos com o direito da população colombiana à paz. Como acontece até hoje, boa parte destes crimes permanece na impunidade, em partes, aponta o Comitê, pela "indiferença de uma sociedade em que seu tecido social se encontra totalmente destruído pela violência e a guerra.

O governo de Álvaro Uribe, anterior ao atual, de Juan Manuel Santos, é considerado o mais violento, pois deixou a cifra mais alta: 32.348 desaparecidos segundo a Unidade de Justiça e Paz. Muitos foram assassinados por chefes paramilitares em massacres e enterrados como NN (sem identificação).

De acordo com o Tribunal Internacional sobre a Infância Afetada pela Guerra e a Pobreza, muitos destes assassinos chegaram a confessar os crimes e narrar como esquartejavam com motosserras e enterravam suas vitimas em fossas comuns como NN ou de que forma procediam ao colocar os corpos em fornos crematórios ou jogar em rios. Mesmo assim, as penas não chegaram a mais de oito anos.

As regiões colombianas onde os desaparecimentos forçados foram mais frequentes foram Antioquia, com 4.251 casos; Valle, com 1.130; Meta, com 949; e Putumayo, com 926 casos de desaparecimento forçado.

Nestes locais e também em outras regiões do país foram descobertos os 'falsos positivos', que consistiam no assassinato de jovens rapazes para serem apresentados como guerrilheiros mortos em combate. Sabe-se de pelo menos 1.700 casos de 'falsos positivos'. Entre eles está o de um deficiente que não podia mexer os braços, mas após assassinado foi apresentado junto a um fuzil, como se fosse um guerrilheiro morto durante troca de tiros.

Alguns desaparecimentos forçados na Colômbia foram divulgados publicamente e denunciados, pois continuam sem explicação e na total impunidade. Como o de Luz Stella, sequestrada junto com seu namorado em novembro de 1986. Ele foi encontrado carbonizado e ela permanece desaparecida. E mais recentemente, em dezembro de 2005, Martha e seu filho Jefferson, de oito meses, foram levados de Bogotá sem deixar qualquer vestígio. E como estas, muitas outras pessoas foram seqüestradas forçosamente no país.

Diante destas violações ao direito à vida, "a presidenta européia do Tribunal Internacional sobre a Infância e promotora internacional de direitos humanos, Rut Cidoncha (...) pede à comunidade internacional pressão humanitária sobre o estado colombiano e os grupos armados para que cessem as desaparições forçadas contra a população e em especial contra os defensores de direitos humanos que nos últimos tempos vêm sofrendo assassinatos e desaparições na Colômbia".

O Tribunal Internacional sobre a Infância Afetada pela Guerra e a Pobreza faz parte do Comitê Internacional de Direitos Humanos Faisal Sergio Tapia e tem sede na União Europeia.


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