Na sexta-feira, o cadáver mutilado de Marco Antonio Ávila García, de 39 anos, experiente jornalista especializado em eventos, foi encontrado dentro de um saco de lixo jogado em uma vala no estado de Sonora, ao noroeste do país. Foi sequestrado no dia anterior em um lava-jato da cidade Obregón, onde residia e trabalhava para dois jornais.
A morte de Ávila aconteceu alguns dias depois que um ex-jornalista foi encontrado morto no porta-malas de um veículo na cidade mexicana de Cuernavaca, no centro do país, e duas semanas depois que encontraram no estado de Veracruz, ao norte do país, os cadáveres mutilados de três jornalistas. Em 28 de abril também foi encontrada assassinada em seu domicílio de Xalapa, Veracruz, uma correspondente da publicação semanal Processo.
"Esta nova onde de homicídios de trabalhadores de meios de comunicação deve servir de alerta às autoridades mexicanas, que devem adotar mais medidas para proteger aos jornalistas que correm perigo por desempenhar seu trabalho”, declarou Rupert Knox, investigador da Anistia Internacional sobre o México.
"As autoridades raramente identificam ou colocam à disposição da justiça quem pratica ataques contra jornalistas, o que cria um clima de temor e vulnerabilidade entre quem é bastante valente para seguir com seu trabalho. É de vital importância que se inicie de imediato investigações exaustivas e imparciais sobre cada um destes casos, utilizando, inclusive novas atribuições de investigações federais, a fim de garantir que os autores sejam colocados à disposição judicial”.
Segundo o porta-voz da Procuradoria do Estado de Sonora, a polícia encontrou junto ao cadáver de Marco Ávila uma nota assinada por um cartel do crime organizado, mas o conteúdo da mesma não foi divulgado.
Em 13 de maio, alguns dias antes do sequestro e da morte de Marco Ávila, foi encontrado em Cuernavaca, ao sul da Cidade do México, o cadáver do ex-jornalista René Orta Salgado, que foi estrangulado em colocado no porta-malas de seu veículo. Em janeiro, Salgado havia abandonado o jornal El Sol.
Em três de maio a polícia achou os cadáveres de três fotógrafos e do trabalhador de um jornal em Boca del Río, no estado de Veracruz, situado no Golfo do México, ao leste do país.
Os três fotógrafos - Guillermo Luna, Gabriel Huge e Esteban Rodríguez – eram todos especializados em informar sobre assuntos relacionados à polícia e ao crime organizado. O nome dos três aparecia em uma lista negra divulgada ano passado por um grupo criminoso organizado. Também foi encontrada morta Irasema Becerra, funcionária de um periódico que mantinha uma relação com Luna.
Vários dias antes, em 28 de abril, foi assassinada em Xalapa, capital do estado, a correspondente da revista Processo Regina Martínez. Também havia realizado investigações sobre redes criminosas e corrupção política.
Os últimos homicídios são a continuação da atual onda de violência contra jornalistas de todo o México, desencadeada no contexto da luta do governo contra os grupos criminosos organizados que cobraram a vida de mais de 50 mil pessoas nos últimos cinco anos.
Segundo a Comissão Nacional dos Direitos Humanos do México, desde o ano 2000 foram assassinados no país 81 jornalistas e mais 14 se encontram desaparecidos. Os autores raramente são colocados à disposição judicial.
A notícia é da Anistia Internacional