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260212_peruPeru - Adital - [Natasha Pish] Nesta sexta-feira (24), lideranças da Coordenadora Nacional de Vítimas da Violência Política (Conavip) no Peru se reunirão com o Ministro de Justiça, Juan Jiménez, e com o Secretário Executivo da Comissão Multisetorial de Alto Nível (CMAN), Adolfo Ernesto Chavarri Arancibia a fim de pedir justiça aos desaparecidos, sequestrados e demais vítimas do terrorismo vivido entre 1980 e 2000 no país.


Os integrantes da Conavip têm como principal objetivo conseguir a modificação do Decreto Supremo 051-2011, que encerra o Programa de determinação e identificação dos beneficiários do Programa de Reparações Econômicas, impedindo a oportunidade de outorgamento das indenizações. Além disso, o decreto também define o valor de 10 mil novos soles, montante considerado insuficiente.

Caso as autoridades peruanas não aceitem as reivindicações e cancelem o Decreto, oferecendo uma reparação justa, a Coordenadora Regional de Organizações de Afetados pela Violência Política de Ayacucho (Coravip) já está sinalizando a realização de uma marcha de sacrifício, que sairá de Putis, com a participação de familiares e vítimas da violência política durante os anos 80.

Outra ação já programada é a realização do II Fórum de Organizações de Vítimas da Violência Política. Durante o evento, que acontecerá em março, os participantes apresentarão 70 mil cartas dirigidas ao presidente Ollanta Humala pedindo justiça e reparação justa.

Saldo da guerra interna

O conflito interno enfrentado pela população peruana durou de 1980 até o ano 2000. Durante este período, a estimativa é de que 100 mil pessoas tenham sido afetadas das mais diversas formas, como assassinato, torturas, violações sexuais, desaparecimento ou deslocamentos forçado, detenções arbitrárias, entre outros.

Segundo informações do Conselho de Reparações, órgão estatal, até o momento, o Registro Único de Vítimas, mecanismo através do qual as pessoas podem ser inseridas no Programa de Reparações Econômicas, contém 67.854 pessoas, mas o número de vítimas não para por aí, já que ainda é preciso analisar a situação de mais de 30 mil prováveis vítimas.

Dados do Conselho informam que 19.107 pessoas foram mortas e 6.183 estão desaparecidas, totalizando 25.290 vítimas. No entanto, a Comissão da Verdade e Reconciliação, em informe final de 2003, assinala que este número é bem maior: 69.280, sendo 8.558 desaparecidos. A Cruz Vermelha defende que o total de desaparecidos por terrorismo é duas vezes maior e soma 16 mil.

Metade dos casos aconteceu em Ayacucho, onde a guerrilha Sendero Luminoso iniciou a luta armada nos anos 80. Os casos de Ayacucho, se somados aos de Apurímac, Huancavelica, Huánuco e Junín acumulam 83% do total de vítimas.


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