Através de entrevistas feitas com homens e, principalmente, mulheres que passam suas noites nas ruas do centro e nos arredores de Córdoba, o documento tem o objetivo de incentivar uma análise crítica da realidade sobre as desigualdades de gênero e elaborar recomendações para que se formulem políticas públicas que visem uma sociedade mais igualitária, com base nas perspectivas de gênero.
De acordo com o relatório, em maio de 2012 foram identificadas 324 pessoas em situação de rua em Córdoba, das quais 148 [a maioria homens] foram entrevistadas. Nas entrevistas se soube que essas pessoas dormem tanto nas ruas quanto em abrigos públicos ou pertencentes à ONGs. Algumas delas recebem assistência do Estado ou de organizações não-governamentais como alimentos, subsídios, albergue, colchões, aluguel, e outros.
32,5% das mulheres entrevistadas disseram estar vivendo nas ruas há menos de um ano, enquanto 40,5% vivem há mais de seis anos nas ruas. Já os homens, 24,4% responderam estar nas ruas há menos de um ano, enquanto 28,8% vivem há mais de seis anos em vias públicas. Apesar de o número de homens nas ruas ser maior do que o de mulheres, o índice que indica as mulheres que vivem há mais de seis anos nestas condições é preocupante, já que é bem maior em relação aos homens na mesma situação.
Entre os motivos que levaram as mulheres para as ruas estão: separação, perda de moradia por problemas com vizinhos ou usurpação de suas casas, problemas psiquiátricos, perda dos pais, violência doméstica, entre outros. O informe destaca que as mulheres em situação de rua ficam duplamente vulneráveis, já que são mulheres e vivem em condições precárias e sem segurança.
"Uma das manifestações mais cruéis e complexas da exclusão social é a existência de pessoas em situação de rua”, afirma o documento, explicando que a expressão "situação de rua” significa que as pessoas não são de rua, mas vivem uma condição transitória levada por diversos fatores e que dá a ideia de "outra realidade possível”, alternativa à rua, que depende também de intervenções e ações do Estado.
Devido a essa situação, a Defensoria Pública acredita que viver em situação de rua agrava ainda mais o problema da desigualdade de gênero para as mulheres. Com este relatório, também identificou-se a fragilidade dos abrigos que oferecem poucas vagas ou as oferecem apenas às mulheres que são mães. Sobre as políticas públicas e sociais, o documento revela que elas estão atravessadas por componentes sociais, políticos, econômicos e culturais e que isso impacta na reprodução de uma ordem social.
Por isso, é necessário enfocar as perspectivas de gênero na hora de elaborar conceitos, metodologias e estratégias que contribuam para erradicar os problemas de desigualdade entre homens e mulheres.
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