Essa organização, que aglutina a quatro milhões e 200 mil mulheres é p mecanismo nacional para o progresso das mulheres nesta nação, explicou sua secretária geral, Teresa Amarelle, em declarações exclusivas à Prensa Latina.
Provavelmente um dos resultados mais ilustrativos do lugar que hoje ocupam as mulheres (e pelo que tem lutado a FMC) seja a presença feminina em importantes cargos políticos, uma realidade palpável na composição do Parlamento e do Conselho de Estado.
De fato, as cubanas constituem 48,86 por cento dos deputados à Assembléia Nacional do Poder Popular e 13 dos 31 integrantes do Conselho de Estado, detalhou a dirigente.
Ademais são 42 por cento dos membros do Comitê Central do Partido Comunista, e a metade dos integrantes dos governos provinciais, referiu Amarelle, que acrescentou que 10 mulheres são presidentas das assembléias provinciais e 59 encabeçam governos municipais.
Tal realidade não se deve a "a vontade política de divulgar uma cifra", senão emerge como o produto da participação das mulheres em diversos setores, entre eles, a economia e os trabalhos científicos, afirmou.
De acordo com a secretária geral da Federação, as cubanas representam atualmente 37,5 por cento da força de trabalho do país, mas 74 por cento delas tem nível médio superior ou superior completos.
"Quando o comparamos com os 55 por cento que atingem os homens ocupados na economia, nos damos conta da crescente participação da mulher" neste aspecto, assinalou Amarelle, ao destacar ademais que na matrícula universitária, seis em cada 10 inscritos são do sexo feminino.
Assim mesmo 53 por cento dos pesquisadores e mais do 70 por cento dos educadores e do setor judicial no país são mulheres, informou a dirigente, que atribuiu estes resultados à vontade política do Estado e os esforços da FMC.
Obtivemos tais lucros dentro do processo revolucionário iniciado em 1959, e ao participar em eventos internacionais e apreciar as duras realidades de outros países sentimos o orgulho de pertencer a uma organização que luta por nossos interesses, disse.
Nesse sentido, mencionou que o Estado cubano fez possível, ademais, a existência de várias legislações que protegem os direitos das mulheres, entre elas, o Código da família, o Código da criança e da juventude, e a Lei de maternidade.
Tais instrumentos jurídicos e outros programas defendem e harmonizam a luta pela verdadeira igualdade de oportunidades para as mulheres, ao qual se une a aprovação, em 1997, pelo Conselho de Estado, do Plano de Ação Nacional da República de Cuba de Rastreamento à IV Conferência da ONU sobre a Mulher, agregou.
AS MULHERES EM FOROS INTERNACIONAIS
O ênfase do Governo da ilha e da FMC, ao impulsionar o desenvolvimento das mulheres em todas as esferas do país, também encontrou seu reflexo nos vínculos com instâncias internacionais.
Como parte dessas relações, sobressaem-se as existentes com a Federação Democrática Internacional de Mulheres (FDIM), na que a organização feminina coordena o escritório regional para América e o Caribe, com sede em Cuba.
Neste sentido, não assombra que a ilha fosse a primeira em rubricar e a segunda em ratificar a Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) para a eliminação de todas as formas de discriminação contra a Mulher.
Também não surpreende que a FMC possua na atualidade mais de dois mil contatos com organizações do mundo e mulheres que ostentam uma trajetória e reconhecimento internacional, em mais de 120 nações da órbita, precisou Amarelle.
Durante o diálogo na capitalina sede da instituição, destacou que as cubanas jogam também um papel importante desde sua participação, como ONG com status consultivo, nas sessões do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em defesa dos direitos das mulheres e outras causas no mundo.
Com respeito à presença feminina em foros internacionais, assinalou que "não são só as dirigentes desta organização (FMC)", mas as representantes de outros setores da sociedade também mostram uma participação ativa em eventos fora do país.
Realçou, ademais, que "uma grande porcentagem dos cubanos que ajudam solidariamente a outros países do mundo, são mulheres", o qual -considerou- também constitui um lucro do processo revolucionário nesta nação.
OS NOVOS DESAFIOS
No meio de transformações do modelo econômico impulsionadas no país, a secretária geral da organização que reúne 89 por cento das cubanas maiores de 14 anos, assinalou a importância de contar com elas neste processo.
O 66 por cento da força técnica e profissional de Cuba hoje são mulheres, pelo que resulta impossível atualizar nosso modelo econômico sem sua participação ativa, disse Amarelle, que assegurou que elas estão "assumindo a responsabilidade que lhes corresponde".
A ilha empreendeu um processo de atualização econômica que procura potenciar o desenvolvimento das forças produtivas, sem renunciar ao modelo socialista e aos resultados de índole social das últimas décadas.
Para isso, promove o aperfeiçoamento no gerenciamento e a eficiência da empresa socialista e, paralelamente, o incentivo às cooperativas e ao setor não estatal, no qual se desempenham já umas 400 mil pessoas.
A dirigente referiu que dos ocupados nesse setor, mais de 27 por cento são mulheres e constituem quase o total dos arrendadores de moradias, uma das atividades desse âmbito com maior movimentação no país.
Enquanto isso, acrescentou, as Casas de orientação à mulher e à família existentes nesta nação, que entre outros propósitos procuram formá-las em diferentes trabalhos, avaliam seus programas para ajustá-los também às necessidades de capacitação no âmbito do trabalho por conta própria.
Ademais, essas trabalhadoras foram favorecidas também com a Lei de maternidade e a segurança social, o que difere das especificidades nessa esfera de outros países, onde seus integrantes adquirem rendimentos só a partir do que produzam, sem outros benefícios, ilustrou.
A atualização econômica e outros desafios alentam as ações das federadas, imersas em um processo de debates prévio ao IX Congresso, que celebrarão nos dias 7 e 8 de março do próximo ano.
A julgamento de Amarelle, a prioridade reside em contar com dirigentes de base e um voluntariado preparado sobre quais são os propósitos da organização e "como conseguimos que seu funcionamento a cada vez mais se vá transformando junto com o modelo econômico", apontou.
Nosso principal objetivo, disse, está em conseguir que cada delegação funcione bem e que as mulheres encontrem resposta a suas preocupações.
A verdade é que as muralhas levantadas historicamente contra a igualdade de direitos da mulher parecem ter cedido muitíssimo ante o empurrão do Estado e do povo de Cuba, um país que proximamente, no Exame Periódico Universal ante o Conselho de Direitos Humanos da ONU, exporá seguramente orgulhoso essa realidade.
