Segundo dados oficiais de 2010, apenas na cidade colombiana de Barrancabermeja, foram registrados 631 casos de violência doméstica. Em resposta a esta situação, o governo criou um programa de combate à violência de gênero, contudo, em um ano de funcionamento da iniciativa, os resultados não foram satisfatórios e muitas mulheres continuam perdendo suas vidas.
Em todo o país, segundo relatório do Instituto de Medicina Legal Forense, 51.182 mulheres sofreram violência por parte de seus companheiros em 2010. Diariamente são atendidos 140 casos, ou seja, a cada dez minutos uma mulher é agredida e encaminhada ao atendimento da medicina legal. Em 80% dos casos o álcool está presente.
O Hospital São Rafael, em Barrancabermeja, confirmou que, no último mês de agosto, 50% dos pacientes atendidos eram mulheres espancadas e maltratadas por seus companheiros. Essas informações são as que chegam diariamente às instituições públicas, sem contar aquelas queixas que não são registradas porque as mulheres têm medo ou ainda os que foram denunciados diretamente às instituições policiais e defensorias, mas que não foram atendidos e registrados.
Em documento, a Organização Feminina Popular exige uma resposta eficaz do governo, pois a situação pede uma atenção imediata não somente investigando os casos mais exigindo a reparação de cada um deles.
"Temos certeza que se houvesse respostas em tempo por parte das autoridades e uma verdadeira política para proteger os direitos das mulheres teriam sido evitadas evitado muitas agressões e mortes".
Números que não negam a violência
Com base no primeiro estudo sobre feminicídio na Colômbia, realizado pelas Organizações Não Governamentais a Casa das Mulheres e Rota Pacífica das Mulheres, foi identificado que entre 2002 e 2009 houve mais de 627.610 casos de violência contra a mulher, dentre esses mais de 100 foram identificados como feminicídio, ou seja, crime de ódio por motivo de gênero.
No estudo dos casos foram constatados que "durante este período, 11.976 mulheres foram mortas e deste número, 40% dos homicídios foram cometidos por parceiros íntimos ou membros da família.
"Cada dia, 245 mulheres foram vítimas de algum tipo de violência, ou seja, uma a cada seis minutos", registra o estudo.
Além da violência cometida por seus parceiros, "muitos dos casos foram cometidos por membros das forças de segurança ou grupos armados (paramilitares e Farc)".
