O sistema de voto na Venezuela processa-se de forma eletrónica, mas a cada voto corresponde um talão em papel, de forma a assegurar que o resultado final de cada mesa não é alterado através de qualquer programação de software com esse objetivo. A lei prevê uma auditoria cidadã às eleições logo a seguir à contagem em mais de metade das mesas de voto, na qual participam reprsentantes das candidaturas, ONG's e qualquer cidadão que queira participar. O resultado dessa auditoria confirmou por inteiro o resultado anunciado: a vitória de Nicolás Maduro com 1,5% de vantagem sobre Capriles.
Mas o candidato que os venezuelanos já tinham derrotado nas urnas nas últimas presidenciais contra Hugo Chávez deu início a uma campanha de desestabilização política, não aceitando os resultados da eleição de 14 de abril nem reconhecendo o novo presidente eleito. A solução encontrada foi a de estender a auditoria à totalidade das urnas, processo que se desenrolou nas últimas semanas.
Apesar de ter exigido essa recontagem, Henrique Capriles deu ordens aos seus apoiantes para não participarem no processo de auditoria e prosseguiu a campanha contra Maduro, prometendo agora recorrer a instâncias internacionais. Mas o reconhecimento internacional da vitória de Nicolás Maduro foi esmagador, mesmo nos países governados por partidos próximos de Capriles e que enviaram observadores às eleições. Por exemplo, o ministro português Paulo Portas foi dos primeiros a felicitar Maduro pela vitória logo a seguir à publicação dos resultados.
O resultado final da auditoria confirmou o resultado anunciado em 99,98% dos votos. Segundo a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, os 0,02% de discrepância em relação à votação anunciada estavam devidamente justificados nas atas das respetivas mesas eleitorais. Para Tibisay Lucena, o resultado da auditoria mostra que "o sistema eleitoral é transparente, robusto e inviolável e reflete de forma precisa a vontade expressa do eleitor e da eleitora".
