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peñanietoMéxico - PCO - O imperialismo tenta aumentar o saque da AL devido às derrotas sofridas nas demais regiões. Devido aos protestos das massas tenta viabilizar uma "saída" de força


Nas eleições presidenciais que aconteceram no ano passado, o imperialismo norte-americano impôs a vitória reciclada do antigo PRI (Partido Revolucionário Institucional) que tinha governado o País durante 80 anos até o início da década passada. O direitista PAN (Partido Ação Nacional) o sucedeu no poder durante 12 anos, tentado impor as políticas neoliberais, chegando ao final do ano passado com a língua de fora. A solução foi a candidatura de um jovem político, Enrique Peña Neto, com pouco envolvimento com as cúpulas ultra-corruptas dos partidos burgueses.

A vitória super-apertada de Peña Neto foi forjada, com inúmeras denúncias de fraude e o apoio descarado e manipulado do polvo televisivo Televisa (a Globo mexicana). Ao que tudo indica, pela segunda vez o candidato da esquerda burguesa do PRD (Partido Revolucionário Democrático), uma dissidência do PRI, López Obrador, teve a vitória roubada.

A missão de Peña Neto é basicamente aprofundar as reformas neoliberais que têm como principal objetivo entregar o setor petrolífero de maneira integral. Devido à gigantesca dependência das finanças públicas da renda de Pemex (Petróleos Mexicanos), a resistência popular à privatização da empresa tem sido gigantesca. Por esse motivo, a política do PAN foi sucatea-la e entregar os setores mais lucrativos aos monopólios.

A política do Peña Neto tem sido apresentada como a "modernização" do México. Na tentativa de ganhar o apoio de uma parte das massas, foi impulsionado uma pacto neoliberal, apoiado pelo PRI, o PAN e o PRD, que começou por um setor secundário, a privatização da educação pública. O chamado Pacto México, que inclui 95 pontos de acordo (ou seja, de setores que deverão ser entregues abertamente ao imperialismo) já entrou em crise devido ao surgimento de fraturas nas bases desses partido por causa dos protestos das massas.

Sob o disfarce de luta contra a corrupção, foi encarcerada a líder do sindicatos dos professores, o SNTE (Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Educação), Elba Esther Gordillo, "la maestra".

O México representa a ponta de lança da política do imperialismo para a América Latina que tenta impor governos de centro-direita para lançar uma nova onda neoliberal sobre a região com o objetivo de compensar as perdas provocadas pelas derrotas nas demais regiões. Essa política já foi derrotada no Chile de Sebastián Piñera, está enfrentando grandes dificuldades para ser ampliada na Colômbia e mostra que conduz ao acirramento da luta de classes a apenas alguns meses do governo Peña Neto. Por esse motivo, o imperialismo continua tentando fortalecer uma "saída" de força para impor a sua política a qualquer custo, conforme tem ficado muito claro recentemente na Venezuela, mas também como tem ficado evidente na América Latina toda.

A saída para crise na região é aumentar a luta pelo agrupamento das massas contra a direita golpista em primeiro lugar. A capitulação dos governos nacionalistas demostra que isso somente pode ser conseguido pela organização dos trabalhadores de maneira independente de todos os setores da burguesia. Essa tarefa implica na luta por um partido operário de massas e revolucionário.

Crescem os protestos contra Peña Neto

A reação dos professores contra a tentativa de entregar o setor a um punhado de especuladores não tardou mais que algumas semanas. Os professores dos estados de Oaxaca, Guerrero e Michoacán promoveram gigantescas manifestações contra o novo governo enquanto a burocracia sindical tenta chegar a acordos com os governos locais.

Em Guerrero, os professores radicalizados, mobilizados pela CETEG (Coordenadora Estadual do Estado de Guerrero), integrante da CNTE (Coordenadora Nacional dos Trabalhadores da Educação), opositora do SNTE, atacaram as sedes do PRI, do PAN, do PRD (este governa o estado) e do SNTE, chegando a expulsar os deputados estaduais da capital, a cidade de Chilpancingo, que acabaram se refugiando na conhecida cidade litorânea de Acapulco. Sob pressão, o Congresso local decidiu "suavizar" as reformas do governo federal para a educação. Os professores, em greve desde o dia 25 de fevereiro, têm promovido uma grande quantidade de marchas, plantões, bloqueios de rodovias, tomada de edifícios públicos, de centros comerciais e de pedágios, entre outras medidas de luta.

Entre outros pontos, a reforma da educação condiciona a estabilidade no emprego e as promoções a avaliações com critérios empresariais (isto é focando o lucro),  elimina as escolas "normales" (espécies de colégios técnicos) e as especificidades culturais de 10 mil professores indígenas, como um primeiro passo para privatizar a educação.

O governo e a burguesia promoveram uma campanha histérica contra os professores incluindo o uso da  Polícia Federal para uma atuação que deveria ficar no âmbito estadual.

A ofensiva do governo levou à formação do MPG (Movimento Popular Guerrerense), que agrupa a sindicatos, camponeses, organismos de direitos humanos, estudantes normalistas e aos grupos de autodefesa de 13 comunidades organizados na CRAC (Coordenadora Regional de Autoridades Comunitárias), que no mês passado marcharam armados junto os professores de Guerrero, ampliando as demandas.

Os professores do estado de Oaxaca (sul do País) também promoveram grandes manifestações e avançam na mesma direção dos professores de Guerrero.

Os estudantes da principal universidade do País, a UNAM, mantiveram a reitoria ocupada durante quase duas semanas em protesto contra a reforma educacional.

A manifestação do primeiro de maio na cidade de México, convocada pelos sindicatos, reuniu dezenas de milhares de pessoas. Houve enfrentamentos com a polícia e as principais palavras de ordem foram direcionadas contra as políticas do governo Peña Neto.


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