Cristina vota em Rio Gallegos, na província de Santa Cruz
Cristina Kirchner foi reeleita presidenta da Argentina nas eleições realizadas neste domingo (23). Com 98% das urnas apuradas, a vitória foi dada a Kirchner, da Frente para a Vitória, e seu vice, Amado Boudou. Ela obteve mais de 53% dos votos, contra 17% obtidos pelo socialista Hermes Binner, segundo colocado no pleito.
Esse é o maior respaldo popular recebido por um candidato à presidência no país desde o fim da ditadura em 1983, quando Raúl Alfonsín conseguiu pouco mais de 51% dos votos. Cristina é a primeira mulher a ser eleita e reeleita na Argentina. Seu segundo mandato será iniciado no dia 10 de dezembro.
Dos 29 milhões de eleitores argentinos, 79% foram às urnas para eleger presidente, vice-presidente, metade da Câmara dos Deputados, um terço do Senado e governadores.
Em discurso, a presidenta reeleita agradeceu o apoio e convocou a todos para trabalharem juntos pelo país. Apesar de estar feliz com a vitória, Cristina também disse sentir tristeza pela falta do marido, Néstor Kirchner, a quem atribuiu sua vitória. “Sem ele, sem sua incomensurável valentia e coragem, sem as coisas a que ele se atreveu, teria sido impossível chegar até aqui”, afirmou.
Na próxima quinta-feira (27), fará um ano que Kirchner morreu, vítima de um ataque cardíaco. Segundo ela, “ele é o grande fundador da vitória” deste domingo.
Néstor Kirchner governou o país de 2003 a 2007, quando elegeu a mulher, Cristina, que manteve a mesma política do marido. Os Kirchner foram responsáveis pela recuperação da economia argentina que, entre 2001 e 2003, atravessou uma de suas piores crises.
10 anos pós crise
O atrelamento do peso argentino ao dólar durante mais de uma década e a privatização das estatais fizeram com que a Argentina mergulhasse em uma profunda recessão no final da década de 1990. Apesar de várias tentativas de ajuste da política econômica, o governo não conseguiu liquidar as dívidas. Em dezembro de 2001, após o congelamento das contas bancárias para evitar a saída de capitais do país, milhares de pessoas saíram às ruas em grandes protestos, que resultaram na renúncia do então presidente Fernando de La Rua. Até 2003, quando Néstor Kirchner foi eleito presidente, a Argentina teve cinco governantes.
Cristina se reelege exatamente dez anos após o início da crise. Segundo especialistas, a política adotada pelos Kirchner, que garantiu o crescimento econômico do país, foi fundamental para a vitória da presidenta nestas eleições.
Néstor Kirchner não aceitou a ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI) para tirar o país da crise. Antes, priorizou a implantação de políticas públicas que possibilitaram o aumento de renda da população e a superação das dívidas.
No momento em que foi votar, Cristina lembrou a política de confronto com o FMI. Segundo ela, a crise na Grécia confirma que os argentinos tinham razão em não aceitar a ajuda do órgão. “Vejo que, possivelmente, perdoem parte da dívida da Grécia e quando ouço isso, vejo que tínhamos razão, ao defender um modelo econômico que defende o trabalho, a produção e a inclusão social”, disse a presidenta.
