Morales assegurou, em declarações exclusivas à Prensa Latina, que pode se equivocar, inclusive que suas palavras sejam tergiversadas, mas advertiu que jamais trairá ao povo nem seus princípios.
O presidente boliviano insistiu na fortaleza dos princípios: "temos valores e temos projetos políticos, econômicos e programáticos para a Bolívia", e reafirmou que qualquer tentativa de desestabilização tropeçará sempre com a posição dos movimentos sociais e o povo.
Para o chefe de Estado, "a oligarquia e o império, tentam sempre desestabilizar, aproveitar qualquer situação, e às vezes conseguem", como ocorreu recentemente no Paraguai.
"Não só lamentamos o ocorrido ali e repudiamos os fatos, senão que desconhecemos esse presidente (Federico Franco), e esse governo...e sabemos que o capitalismo ainda usará algumas oligarquias de alguns países para esses projetos, esses golpes de Congressos", insistiu o primeiro presidente indígena da América Latina.
Morales, no entanto, considera que o ocorrido no Paraguai "nos permite uma reflexão: é difícil mudar um país depois de tantos anos de ditadura, de aplicação de políticas econômicas do sistema capitalista, um país com tantos terratenentes".
"Nosso respeitável e admirado presidente Fernando Lugo começou a mudar a política agrária e então chegaram os terratenentes para tirá-lo do poder. Isso tentaram aqui na Bolívia. E ganhamos graças à consciência do povo", recordou.
"A consciência do povo boliviano, expressada em diferentes lutas sociais tem permitido frear golpes de Estado. Pelo menos aqui abortamos três tentativas de golpe de Estado: em 2008, 2011 e 2012", enfatizou Morales, quem destacou que aqueles que tentaram derrocá-lo, saíram derrocados.
"Alguns grupos decidiram derrubar o Evo e só se derrubaram", disse o presidente, quem acrescentou que "quando a direita não tem capacidade de convocação, se infiltra na Polícia, se infiltra nos movimentos sociais, usa aos dirigentes sindicais e destroça, desprestigia, aos movimentos sociais".
O presidente pôs como exemplo a última marcha indígena à capital do país e a maneira como foi usada pelos partidos de direita, sobretudo pelo Movimento Sem Medo e seu líder, Juan del Granado.
Essa organização apoiou a marcha, mas o povo não a respaldou e isso se converteu em outro triunfo deste processo de mudança, desta revolução democrática e cultural, ressaltou.
Para Morales, "o povo de La Paz é sábio e sabe como e quando ser solidário. Isso aconteceu nestes dias. E, claro, quem não mente, quem não usa interesses de caráter pessoal ou sectário, sempre consegue impor a verdade. A mentira acaba rapidamente".
"A verdade é uma grande fortaleza", disse o chefe de Estado, que recordou que há 30 anos se dizia, com a intenção de privatizar os recursos naturais e os serviços básicos, que 'A Bolívia nos está morrendo'. E a Bolívia se levanta com muita força, economicamente estável, politicamente forte, culturalmente invencível".
"Estamos certos de que estes grupos tentarão usar, mas derrubar não poderão. Em vez de no derrubar, eles são derrubados pelo povo, com suas organizações, com dirigentes que são instrumentos da direita, dos neoliberais e, portanto, do imperialismo. Essa é minha experiência", acentuou.
Para o líder boliviano, "este processo é infreável. Por isso vamos continuar esta luta, pese a algumas dificuldades que sempre podem aparecer".
Também destacou a inspiração do líder cubano Fidel Castro e do venezuelano Hugo Chávez no processo que vive a Bolívia e esclareceu que só leva adiante uma tarefa deixada pelos antepassados, desde Túpac Katari e Bartolina Sisa até os mineiros, indígenas originários e operários vítimas das ditaduras militares.
"Vou reconhecer a grande presença de Fidel, seu governo e do povo cubano. A Hugo Chávez, seu governo e o povo venezuelano em dois temas importantes: saúde e educação", disse.
"Se falamos de saúde, vale destacar a Missão Milagre. É impressionante essa solidariedade expressada pelo povo cubano através do Fidel e seu governo. É impagável e parecem coisas inalcançáveis. Igualmente no tema de educação. Cuba e Venezuela, rapidamente, em pouco tempo, ajudaram-nos a erradicar o analfabetismo", afirmou.
Assinalou que antes "muitos tentaram e nunca puderam, mas a solidariedade de dois países irmãos como Cuba e Venezuela nos ajudaram a avançar. Esse é a Alba (Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América), um projeto político latinoamericano com definições ideológicas, programáticas, anticapitalistas. E portanto aí estão os resultados".
Para Morales, "esse tipo de cooperação, de Cuba e da Venezuela com a Bolívia, deve ser envejável para alguns países que não têm possibilidades".
Por último, recordou que "a nossa é uma luta permanente, uma batalha econômica, uma luta ideológica, com uma grande vantagem: nosso movimento dos povos, das forças sociais, está baseado nessa lei cósmica que nos deixaram nossos antepassados: não roubar, não mentir, nem ser preguiçosos".
"Constitucionalizamos estes valores dos nossos antepassados, mas dei-me conta de que sempre terá provocações, internas e externas, geralmente gestadas e impostas de fora, financiadas de fora para evitar estas mudanças profundas que vamos realizando na Bolívia", afirmou Morales.
No entanto, "nesses momentos saem os povos, os movimentos sociais e com muito naturalidade freiam esta classe de conspiração antidemocrática", insistiu.
"Às vezes alguns movimentos sociais, alguns dirigentes sindicais passam para a direita, para os pró-capitalistas, com os pró-imperialistas. Até a Polícia se envolveu em uma greve armada recentemente. No entanto, o povo a derrotou, como sempre, vai derrotando estas conspirações internas e externas", sentenciou.
