No próximo dia 1º de junho, quando se completarão 9 anos da presença das tropas militares da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), organizações sociais e movimentos populares realizarão a Jornada Continental de Solidariedade e pela retirada das tropas do Haiti. Para somar esforços em defesa da soberania do território haitiano, a Rede Jubileu Sul está fazendo um chamado para as organizações e movimentos sociais, comitês, redes, pastorais e outras entidades participarem das ações deste dia e aderirem à mobilização até a próxima segunda-feira (13).
Os interessados em fortalecer a luta em prol do Haiti devem enviar um e-mail com o nome da organização para o endereço camilafontes.jsa@gmail.com até o próximo dia 13. De acordo com Rosilene Wansetto, integrante da secretaria do Jubileu Sul Brasil, a ideia é sensibilizar as organizações para a causa da Jornada e chamar as entidades para realizarem ações de solidariedade através de documentos, cartas, ações em escolas e outras atividades que mostrem publicamente a realidade do Haiti no dia 1º de junho.
Ela explica que o objetivo de toda essa mobilização é denunciar e conscientizar sobre a situação de interferência estrangeira no Haiti, defender a soberania do país, lutar pela reparação dos direitos humanos da população e pela reestruturação da economia. "O Haiti precisa de solidariedade, não de soldados", disse.
Além disso, também pedem o cancelamento da dívida financeira externa que está sendo atribuída ao Haiti e dos acordos para manter as tropas que acabam se refletindo também em dívida social. Com a adesão dos movimentos e entidades nesta mobilização, será possível saber quais organizações apoiam a luta em defesa da soberania do Haiti.
Segundo Rosilene, a Rede Jubileu Sul acompanha a situação do Haiti desde a ocupação militar há quase 9 anos, e desde então tem percebido que a situação do país só piorou. "É fundamental a retirada das tropas para que o povo e organizações do Haiti toquem seu trabalho sem interferência de outros países e organizações militares", ressalta.
Jornada em 1º de junho
A realização da Jornada Continental de Solidariedade e pela retirada das tropas do Haiti no próximo dia 1º de junho, marca os nove anos da presença das tropas militares das Nações Unidas em território haitiano, sob a alegação de "estabilização" do país.
No entanto, ao invés de melhorar a situação gerada pelo golpe de Estado de 2004, a Minustah tem provocado mais repressão, violência e fragilização da economia do Haiti. "Em vez de promover a paz, as tropas provocaram sistemáticas violações aos direitos humanos da população e "importaram" doenças como a cólera, que deixou milhares de vidas humanas perdidas. Expressamos nossa especial indignação frente ao fato de que a ONU se recusa a toda indenização pela introdução da cólera, evocando a imunidade de suas tropas", afirma a Rede Jubileu Sul.
A pesar de já ter sido rechaçada por unanimidade pelo Senado Haitiano e por países da União das Nações Sul-americanas (Unasul), a Organização das Nações Unidas (ONU) insiste em manter as tropas militares para a 'estabilização' do Haiti que são compostas por soldados do Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Bolívia, Paraguai, Equador, Guatemala, Peru, Colômbia, El Salvador e outros países.
