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250413 EH-Argentina47txarlaArgentina - ASEH - O espaço da Taberna (no Centro Cultural La Dignidad) foi pequeno, pois havia muita expectativa em relação à presença do escritor Gilad Atzmon, um israelita que renunciou à sua nacionalidade como forma de repúdio pelo sionismo e pela sua política criminosa para com o povo palestiniano. Atzmon também se tornou mundialmente famoso como músico, pois é um excelente saxofonista - talento que também utiliza em solidariedade com a Palestina ocupada.


Atzmon chegou à Taberna Basca através do seu editor, Saad Chedid, que acaba de publicar a sua obra La identidad errante, um trabalho que tem provocado grande agitação pelas ideias corajosas que Atzmon nele expõe, aprofundando a ideia de quão nocivo é para a paz mundial não apenas o sionismo mas também aquilo que o autor define como «a judeidade» que abrange toda a sociedade israelita. Chedid deu início ao debate, explicando por que razão se decidiu a publicar La identidad errante; contou que, desde que o leu pela primeira vez na sua edição em inglês, se apercebeu de que concordava inteiramente com as propostas de Gilad - «apercebi-me de que era um irmão em ideias» -, e a partir daí decidiu solicitar a tradução a Beatriz Morales, uma companheira que vive em Euskal Herria e que participa na solidariedade para com as presas e os presos bascos.
 
Depois, foi a vez de Gilad, que atacou duramente aqueles que «pretendem varrer o povo palestiniano do mapa» e esclareceu que «o que se passa na Palestina não é só apartheid mas limpeza étnica». Atacou também a chamada «esquerda israelita» por não estar à altura das circunstâncias na luta que é preciso travar contra o imperialismo sionista, e disse que a oposição ao sionismo está também influenciada pelo próprio sionismo. No debate com o público presente, Gilad revelou que até o BDS (campanha de Boicote económico e académico a Israel) «fez cedências em questões vitais», de que é exemplo a alteração, na sua plataforma de objectivos, da questão do retorno dos palestinianos expulsos do seu território. «No primeiro manifesto, no original - disse Gilad - fazia-se referência às fronteiras de 1948, mas ultimamente o BDS fala das fronteiras de Junho de 1967, e isso não é uma questão de pormenor».
 
Menção à parte merece o trabalho de apoio de Guillermo Azzi à realização do debate, traduzindo impecavelmente cada uma das ideias expressas por Atzmon. Antes da intervenção de Gilad, foi exibido um documentário sobre o seu trajecto como lutador anti-sionista e como músico.
 
No final da iniciativa, Gilad mostrou os seus dotes de saxofonista, e foi despedido com uma ovação, não só pela sua música, mas também pela coragem mostrada no confronto que mantém contra o sionismo e pelo seu compromisso com a Palestina. Ele fala da questão nestes termos: «Só voltarei à minha terra, quando ela for Palestina».

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