Em um comunicado ao qual a Prensa Latina teve acesso hoje, as Autoridades Tradicionais das comunidades Mapuche "Autônoma" e "Tradicional", da localidade de Temucuicui, na Araucania, culparam o Executivo pelo fato de que suas terras estejam nas mãos de colonos estrangeiros, de empresas multinacionais florestais e militarizadas.
O texto assinala ainda que, durante os últimos dois dias, as comunidades tradicionais chegaram a um consenso para solucionar as diferenças internas que durante quatro anos persistiram dentro do território, para assim coordenar as demandas históricas e dar um forte sinal de unidade.
As organizações consideram que as autoridades políticas do Estado chileno utilizaram estas diferenças a seu favor em todos os momentos, para manipular, enganar e, assim, evadir suas responsabilidades de solucionar as legítimas demandas propostas por parte de ambas as comunidades, localizadas na zona vermelha do conflito mapuche.
Neste sábado, a rede Diário Digital informou sobre a convocação do Ministério do Interior para criar juntas de vigilância rural na Araucania, consideradas pela comunidade Mapuche como uma abertura ao paramilitarismo.
"Tal licitação deveria ser motivo para instalar no debate público nacional o tema do sério risco de institucionalizar o paramilitarismo na região da Araucania, com financiamento, assessoria, apoio logístico e treinamento por parte do Estado", assinalou um extenso artigo da publicação, em nome dos povos originários.
Em sua opinião, colocar civis como auxiliares da força pública implica admitir que esta foi superada em seu dever constitucional de resguardar a ordem pública.
Segundo as autoridades, as juntas de vigilância se dirigem a apoiar o trabalho policial preventivo em 22 das 33 comunas da Araucania.
