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110712 cubafricaCuba - Prensa Latina - De que nação africana exatamente foi arrebatado Lino, Quirino ou Aquilino Amézaga para ser trazido como escravo à Ilha caribenha poucos estão seguros, mas até esta zona central do país chegou num nefasto dia.


O que sim se sabe com certeza é que este homem de pele de ébano partiu aos 25 anos à manigua redentora, para lutar contra o colonialismo espanhol como um cubano mais, como alguém nascido nesta terra bravia que se sacudia do colonialismo e a miséria.

Para esse então teve a sorte de que o Maior General do Exército Libertador e combatente das três guerras independentistas cubanas, Serafín Sánchez Valdivia, fora seu chefe e mestre.

O paladino espirituano exerceu esta profissão desde muito jovem e continuou alfabetizando a soldados, camponeses e escravos libertados, entre eles Quirino Amézaga.

Sánchez Valdivia foi um dos mais próximos colaboradores do Herói Nacional cubano José Martí (1853-1895) em sua emigração a Cayo Osso. Especialistas argumentam que foi com ele com quem o Apóstolo trocou o maior número de cartas dentre todos os amigos com os que contaram Martí.

Hoje no conjunto escultórico, dedicado a Serafín Sánchez, localizado na Praça da Revolução de Sancti Spíritus -leva seu nome-, se alça também a figura desse negro que uma vez fora escravo, com a cabeça coberta por um lenço.

Na mão direita sustenta um livro aberto; com a esquerda empunha um fuzil.

Apesar da beleza da obra, escapa à criação artística expressar a inteireza e decoro que manteve nos últimos instantes de sua vida este africano-cubano.

O Major General Serafín Sánchez aparece por trás de Amézaga, e sua mão esquerda repousa sobre o ombro de quem obteve os graus de Comandante do Exército Libertador.

Quando foi preso, seus captores tentaram que dissesse ser um simples soldado, mas dos lábios de Quirino foi impossível conseguir uma falsa confissão, ainda que nisso perdesse a vida.

À reconhecida escultora espirituana Thelvia Marín deve-se este monumento ao general das três guerras e que leva implícita a presença de seu aluno.

Na parte inferior, em frente à Praça, podem-se apreciar nove painéis, os quais representam diferentes momentos da vida do insigne patriota cubano Serafín Sánchez Valdivia.

Um deles reflete uma etapa da guerra de 1868 - se estendeu até 1878, pelo que foi chamada Guerra dos Dez Anos-, onde o valente mambí arriscou sua vida para cuidar, voluntariamente, dos doentes de cólera; outro o mostra com José Martí, a quem acompanha nos atos públicos, na Tabaquería em Cayo Osso.

DE QUALQUER PONTO DA ÁFRICA

De onde o trouxeram à força, dada a infame escravatura imperante na época, se foi da Guiné Portuguesa, do Congo ou de Angola, é o de menos, ainda que para os pesquisadores, historiadores e outros interessados no assunto continua sendo um tema de debate.

No entanto, atendo-nos a dados consultados, em 9 de setembro de 1861 o presbítero José Ignacio Marín, padre da igreja de Jesús de Nazareno, batizou "nomeando-o Lino a um adulto como de 16 anos de idade, de nação Congo, instruído na doutrina cristã e moreno escravo de D. Juan Bautista e D. Miguel Amézaga, vizinho desta feligresía..."

A este homem, que abraçou a luta independentista cubana, ainda que foi batizado como "de nação Congo", na partida de casal, localizada na Igreja Paroquial Maior de Sancti Spíritus, o presbítero Francisco dos Rios Sepúlveda o classifica como "natural da África".

Outra definição sobre sua nacionalidade a daria o destacado estudioso e folclorista espirituano Manuel Martínez-Mole para quem foi um "negro Português".

Para alguns historiadores Quirino, Lino ou Aquilino pôde ter sido sequestrado pelos traficantes de escravos em alguma região da atual Angola.

De qualquer parte da África que fora, o relevante desta história é que Quirino se incorpora à luta independentista em 1870, quando as forças mambisas assaltam o talento San José, do partido da vila de Sancti Spíritus, onde era um escravo.

Entre suas batalhas figura uma de grande importância: o cruzamento da famosa trocha de Júcaro a Morón -na central província de Cego de Ávila-junto a seu chefe Serafín e une-se, com graus de capitão, à jurisdicção espirituana, onde segue combatendo.

Em 28 de março de 1887 contrai casamento com Juana Vale. Têm dois filhos, Anselmo e Manuel.

ESTREITOS VÍNCULOS DE AMIZADE

Ao ter lugar pelo sul espirituano -zona de Tayabacoa- o desembarque encabeçado pelos generais Serafín Sánchez, Carlos Roloff e Mayía Rodríguez, em 24 de julho de 1895, Quirino é outro de seus participantes.

O Major General Serafín Sánchez Valdivia escreve uma carta a sua esposa Josefa (Pepa) Pina, com data 28 do próprio mês, na que lhe diz: "Tenho comigo Federico Toledo e Quirino Amézaga com uns 100 homens de cavalaria".

Para um patriota da sensibilidade de Serafín era impossível obviar o carinho deste africano para ele, e foi recíproca a essa lealdade, já que segundo ele mesmo escreveu ensinei a ler nos acampamentos da guerra grande", expressando assim os estreitos vínculos de amizade que os uniam.

Sob as ordens do brigadeiro Rogelio Castillo, Amézaga é então designado pelo comando para a brigada de Trinidad, cidade centro declarada desde 1988 Patrimônio Cultural da Humanidade, pela UNESCO.

Em 6 de setembro do ano mencionado, dirigem-se ao quartel do povoado de Condado (Trinidad), do que se "sacou bom botim" e Quirino, de uns 50 anos de idade, vai como chefe da infantaria.

Depois de várias horas de combate, esgotado seu parque, ferido em uma perna e ante a superioridade das forças espanholas, os mambises veem-se obrigados a retirar-se, mas Quirino é feito prisioneiro.

É levado a Trinidad com o soldado Julián Balines e mais dois colegas e depois transladou-se-lhe ao hospital Militar da Popa para atender suas feridas.

Quando já estava quase recuperado, um pelotão de insurrectos tentou o resgatar, mas todo foi em vão. O fato recolhe-se como acontecido às 11 da noite da quinta-feira 26 de setembro.

Foi transladado ao Barracón -depois estação da ferrovia-, que oferecia maior segurança e julgado por um Tribunal Militar que o condenou a morte por fuzilamento.

A sentença cumpre-se em 13 de outubro de 1895 em Trinidad, cidade fundada em 1514 pelo Adiantado Diego Velázquez, a uns 360 quilômetros a leste da capital do país.

Nessa vila a que em princípio se chamou rua Chanzonetas, depois Mão do Negro, recebeu por um acordo da Prefeitura o nome de Quirino Amézaga, como recordatorio perene ao arrojo deste homem que uma vez fosse escravo e se fez livre, incluindo de pensamento ao aprender com seu chefe as primeiras letras.

Alguns textos narram que no longo trajeto do Barracón à Mão do Negro, lugar de triste recordação onde foram fuzilados outros patriotas, o incluindo a ele, demonstrou tanta integridade que até quem o custodiaram até ali sentiram respeito por ele.

Seu sangue africano abono a terra desta zona central do país, que isto é a de toda Cuba, porquanto sua morte respondeu à digna causa da luta pela independência da Ilha do nefasto colonialismo espanhol.

* Correspondente de Prensa Latina na província de Sancti Spíritus.


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