A informação foi divulgada hoje pelo presidente do Instituto Nicaraguense de Energia (INE), David Castillo, em entrevista ao Canal 4 de televisão, atendendo o interesse social do tema.
Devido ao aumento dos preços internacionais do petróleo, o país estava obrigado a subir o preço da tarifa elétrica em 20,2 pontos percentuais logo no início de 2012, mas o ajuste será de apenas 9 por cento, como resultado da contribuição venezuelana, precisou o engenheiro.
Esse aumento tarifário não afetará mais do 80 por cento dos consumidores residenciais; isto é cerca de 670 mil famílias (ao redor de quatro milhões de habitantes), que seguirão pagando o mesmo por conta do subsídio estatal, destacou o titular do INE.
Ainda que a Nicarágua baseie a maior parte de sua geração elétrica em plantas térmicas, consumidoras de petróleo e bunker (combustível pesado), essa faixa da população de menores rendimentos segue protegida, afirmou o especialista.
Só em 2011 o Orçamento geral da República destinou o equivalente a 38 milhões de dólares a fim de assumir o custo que deixou de transferir às famílias, e neste ano o Ministério de Fazenda deve contribuir com outros 19 milhões para esse gasto orçamental, assinalou.
Pelo financiamento da Venezuela no âmbito da ALBA, o governo colocou agora 26,2 milhões de dólares, o que somado aos 19, totaliza um montante de 45,2 milhões a fim de assumir os subsídios à eletricidade na primeira metade do presente ano, explicou.
Em 2010 essa nação sul-americana contribuiu com 20 milhões de dólares para manter aqui o subsídio elétrico e em 2011 outros 107 milhões, destacou o especialista.
Se não fosse por essa contribuição, a fatura elétrica para os consumidores internos teria sido elevada em 27 por cento em três anos, comentou.
Durante os últimos cinco anos, o setor elétrico da Nicarágua recebeu mais de 500 milhões de dólares da ALBA, dos quais ao redor de 380 milhões foram investidos em obras de infra-estrutura, sublinhou.
Em janeiro de 2007, quando o presidente Daniel Ortega assumiu seu atual mandato e o país se incorporou à ALBA, a nação estava envolta em uma crise pelo déficit de geração elétrica e esse problema ficou resolvido, apreciou Castillo.
Os fundos da ALBA chegam com facilidades de pagamento a longo prazo, como não se consegue em nenhum outro mecanismo, e os investimentos que a Nicarágua desenvolve no setor energético oferecerão recursos para cobrir as dívidas.
O presidente do INE notificou as perspectivas em ascensão de exportar energia elétrica a outros territórios centro-americanos, sobre a base das obras planejadas, dirigidas ao fomento das potencialidades em energia eólica, hidráulica e geotérmica.
