- A CLOC é a linha de intervenção dos camponeses, indígenas e afrodescendentes em nível continental. Temos claro que todas as nossas organizações do campo temos inimigos comuns, então através do CLOC buscamos que a luta camponesa se consolide em nível internacional. Também temos objetivos comuns, que vamos fortalecer no congresso, como a luta pela terra, a integração dos povos, a soberania alimentar e a reforma agrária. Não se pode deixar de lembrar que os setores camponeses e indígenas são dos mais pisoteados pelos setores dominante e lutamos para reverter essa situação.
- Quais são os inimigos comuns?
- O agronegócio, as transnacionais e os organismos multilaterais que se expandem em todo o continente. Os inimigos comuns são as empresas estrangeiras e nacionais que sustentam o agronegócio, que são as mesmas que se expandem nos países da região. E também um setor da imprensa, que protege os poderes econômicos.
- Qual é o papel dos governos frente ao modelo extrativo?
- Todos os governos apoiaram o modelo transgênico. Um dos problemas comuns é que os Estados não tem políticas reais de apoio à agricultura familiar e impulsionam com força a agricultura empresarial, apesar dos discursos progressistas.
- Como atua o modelo de agronegócio no Paraguai?
- O monocultivo de soja provocou a perda da soberania alimentar, gerou dependência das grandes empresas de sementes transgênicas e menos produção de alimentos. Com o agravante dos agrotóxicos, que envenenam nosso povo, e os desalojamentos. Em meu país, os 70% da terra produtiva está nas mãos da oligarquia, famílias acomodadas que só priorizam seus lucros. O Paraguai é um país eminentemente agrícola, 43% da população é rural. E essa população corre perigo real de perder a terra, o que implica deixar de produzir, perder a fonte básica de alimentação. Para o Paraguai, os agronegócios significaram violentar os direitos humanos.
- Qual é a relação das organizações que integram a CLOC com os governos?
- Lugo chegou com o apoio dos camponeses e até agora seguimos defendendo o processo paraguaio. Colocando pontos básicos, entre elas a reforma agrária, seguro agrícola, em respeito ao meio ambiente e a soberania energética. Todos foram aceitos por Lugo, mas desde algum tempo o presidente impulsionou uma aliança com setores de direita. Além disso, o Parlamento segue sendo dominado majoritariamente pelos setores mais conservadores. É uma situação complicada. O balanço até agora é que não foram atendidas as demandas e propostas do campo social.
Traduzido para o Diário Liberdade por Lucas Morais (@luckaz)
