Sua ação mudou radicalmente a vida deste acomodado e culto cubano e o curso posterior de seu país.
Sua voz rompeu o silêncio da longa noite colonial a ponto de arrastar com sua decisão os setores mais radicais de sua classe, os latifundiários orientais e uma massa de camponeses, artesãos e escravos, que acataram sua liderança.
Enquanto outros conspiradores duvidavam, Céspedes pronunciou-se tempos antes pelo levantamento imediato, apoiado pelos trabalhadores, frente aos camagüeyanos que pediam um prazo de seis meses, e dos de Holguín, de um ano, prorrogação aceitada pelos representantes de Bayamo.
Todos estavam convencidos de que a única saída para Cuba estava na luta pela independência, mas houve sérias discrepâncias sobre as vias e o momento de iniciá-la.
Em sua determinação, Céspedes baseava-se em fatores internos e externos -políticos, econômicos e sociais-; a seu julgamento era hora de atuar de maneira pronta e decisiva, ante a situação precária em que se encontrava a metrópole espanhola.
Existia, ademais, um perigo real de fracasso se fosse descoberta a conspiração independentista, como praticamente pôde suceder sem a oportuna interceptação de um telegrama de 7 de outubro de 1868, no qual se ordenava a detenção dos principais implicados.
Homem de lei e discursos, teve energia e carisma de um fundador, ao tomar as armas em uma manhã luminosa -10 de outubro de 1868-, declarando no primeiro dia de liberdade e independência de Cuba e também de seus próprios escravos.
Talvez nada tenha tanta transcendência como ter despertado o patriotismo fervoroso de estudantes, profissionais, intelectuais e do povo em geral, daquele tempo e das sucessivas gerações.
A chama da Revolução de 68 ardeu por 10 anos e, na concepção de José Martí, nascido revolucionário a seu influxo, ninguém tirou a espada das mãos dos cubanos, "mas a deixamos cair nós mesmos".
Advogado, poeta e revolucionário, Céspedes foi o primeiro a executar, segundo palavras de Martí.
Na opinião do coronel mambí e cronista da guerra Enrique Collazo, para que nada falte para sua legítima glória, morreu já quase cego, só, entre abrupta serra, "o primeiro dos cubanos que conseguiu dar ao seu país e a seus paisanos pátria e honra".
Com seus familiares, amigos e seguidores, Carlos Manuel marchou uma guerra longa e penosa na qual tudo lhe foi oferecido e quando lhe propuseram salvar a vida de seu filho em troca de que se apartasse da insurreição, expressou: "Oscar não é meu único filho, o são todos os cubanos que morreram pelas liberdades pátrias".
Tratava-se de uma mentira, pois nesse momento o prisioneiro já tinha sido assassinado pelas armas.
O Pai da Pátria encabeçou o primeiro governo provisório de Cuba Livre, em 1868, e presidiu a República em Armas, de abril de 1869 até 27 de outubro de 1873, destituído pela Câmara de Representantes por causa de discrepâncias.
Depois viveu sem escolta na propriedade de San Lorenzo, em Sierra Maestra, onde foi morto pelos espanhóis a 27 de fevereiro de 1874 o que nascera em Bayamo a 18 de abril de 1819, de uma antiga família criolla assentada na região desde a primeira metade do século XVII.
Viveu parte da infância em fazendas familiares, e em sua cidade natal aprendeu latim, filosofia e gramática latina; estudou Bacharelado em Leis no famoso colégio havaneiro Seminário de San Carlos e San Ambrosio (1838), e fez-se advogado em Barcelona, Espanha (1842).
Sua cultura de mundo foi adquirida em suas viagens a França, Alemanha, Itália, Turquia e Inglaterra, antes de estabelecer seu escritório de advocacia em Bayamo (1844).
Em meados do século XIX, Céspedes era "o diretor nato de tudo quanto significava cultura, progresso e ilustração", segundo seu amigo o patriota e historiador Fernando Figueredo.
De grande imaginação e eloquente orador, bom em dança e em equitação, esgrima, ginástica e xadrez, teve uma formação humanística; recitava com facilidade poesias dos clássicos, em espanhol, francês ou italiano, e com sua memória e talento cativava o auditório durante horas.
Cultivou a poesia, escrevia comédias, traduzia teatro e também atuava; foi colaborador de jornais de Havana e de outras cidades.
É coautor da primeira canção romântica cubana conhecida, La Bayamesa (1851), em união de Francisco de Castillo e José Fornaris.
Mas nunca foi um homem exclusivamente dedicado a sua profissão privada e, ao ser eleito em 1849 Síndico Procurador Geral (advogado da comunidade) da Prefeitura de Bayamo, começou a chocar-se com o sistema colonial.
Por oferecer proteção aos escravos, seus inimigos políticos chamaram-no "Síndico de negros".
Fundou em 1851 uma sociedade filarmônica em Bayamo, junto com seu amigo Pedro (Perucho) Figueredo, e contribuiu à criação de outra similar em Manzanillo (1856).
Desde 1852 Céspedes entrou na lista de suspeitos de desafetos à Coroa Espanhola, e sucessivamente sofreu perseguições, detenções e confinamento fora de Bayamo onde nunca mais pôde se estabelecer sob o sistema colonial.
