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010811_equadorEquador - Kaos en la Red - [Tradução do Diário Liberdade] Não vai fazê-lo. A morte cruzada anunciada pelo Presidente a República, novamente, como uma evidente chantagem aos assembleístas que decidiram fazer parte de uma maioria antigovernista na eleição do delegado desse organismo ao Conselho do Judiciário de Transição, ficará simplesmente em isso, em ameaça.


Rafael Correia sabe que eleitoralmente já não é o mesmo de 2007. Menos de metade dos eleitores disseram-lhe SIM na sua consulta de 7 de maio, menos de metade decidiu apoiar sua gestão, confiar nele. É muito difícil, apesar do tamanho de sua arrogância, que se arrisque a perder o controle da maioria de assembleístas e, mais ainda, a pôr em risco sua própria reeleição.

O Presidente não atua desse modo nos canais sabatinos por uma simples atitude visceral, por uma desordem emocional, é mais grave ainda: é sua concepção ideológica, realmente acha que o Estado é ele, que as instituições têm validade sempre que agirem sob seu comando direto, sob sua ordem. A democracia é só um discurso nas mensagens da publicidade oficial. Enquanto a "revolução cidadã avança", as liberdades democráticas restringem-se. Absurdo que só é compreensível em um projeto político de afirmação do capitalismo sob uma intervenção protagonística do Estado.

Mas o correlato desta realidade é a clarificação da tendência democrática, progressista e de esquerda, da qual já não faz parte o presidente Correia. Em diversos foros e palcos de discussão, os representantes das organizações e partidos políticos que fizeram parte da Coordenadora Plurinacional "Desta vez NÃO", expressaram seu compromisso de consolidar um processo de unidade da esquerda, partindo de clarificações fundamentais, como o reconhecimento da diversidade das forças que participam, a necessidade de um programa que recolha as principais bandeiras do movimento social organizado, dos trabalhadores, nacionalidades e povos.

Mas talvez a mais importante clarificação seja a que propõe que o objetivo estratégico desse processo unitário não será o de reformar o capitalismo, modernizá-lo a partir dos interesses das transnacionais e novos grupos de poder, como faz o atual governo, mas o do revolucionar, ultrapassar e para abrir passagem a uma sociedade socialista. Definição profundamente significativa, considerando que dentro do processo estão organizações populares e partidos políticos como Pachakutik, o MPD, Montecristi Vive e Participação, que foram protagonistas da vitória do atual governo e que, uma vez que denunciaram sua deriva para a direita e lhe tiraram o apoio, protagonizaram uma campanha na consulta popular passada, que deixou em vidência a fraqueza do regime e uma recuperação das forças progressistas.

A outra feição que marca a clarificação desta tendência e o desenvolvimento das forças revolucionárias é a preparação da Convenção Nacional do MPD, em um processo democrático único na história do Equador, e que se converte em um exemplo para as restantes organizações e partidos políticos.

O MPD elegerá 21 diretoras provinciais, com o voto direto e secreto de seus militantes e filiados em todo o país, que para 1 de outubro ultrapassarão os 300 mil, bem como à nova dirigência a nível nacional. O Equador vive um cenário de luta ideológica e política que talvez não tem comparação na história, e isso significa desenvolvimento. Embora os cenários por momentos se mostrem complicados, nada poderá deter a roda da história.


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