O principal deles é superar a cultura de violência que se estabeleceu no país depois de 25 anos de conflito, mas não ficam atrás as necessidades de eliminar o analfabetismo e melhorar o sistema de saúde da população.
A este respeito, o embaixador dessa nação em Havana, Olímpio Branco, destacou a ajuda solidária de Cuba nessas áreas através de bolsas, colaboração médica e o método de ensino Yo si puedo.
Nós atingimos a independência a 20 de maio de 2002 e esta ilha nos reconheceu de imediato, depois do que restabelecemos relações diplomáticas, e começamos uma formosa relação de solidariedade e cooperação econômica, política e diplomática, sublinhou.
Ao ser entrevistado pela Prensa Latina, o embaixador comenta que esses nexos se estreitaram ainda mais numa cúpula posterior do Movimento de Países Não Alinhados na Malásia, onde o então presidente cubano Fidel Castro ofereceu mil bolsas ao Timor Leste para que seus jovens estudassem medicina aqui.
De acordo com o diplomata, o programa foi-se implementando paulatinamente, de maneira que há 700 médicos em formação e no final do presente ano se terão graduado cerca de 500, cifra importante para um país com uma população de 1,1 milhão de habitantes.
Os outros 300, com os que se completam as 1000 bolsas, estão sendo formados em Timor sob a ajuda de becados cubanos, quem ademais trabalham em 400 aldeias, 65 subdistritos e 13 distritos do país, explicou.
Ambos países também fomentam a cooperação na área educativa, através da aplicação do método cubano Yo sí puedo, graças ao qual o governo timorense prevê declarar o país livre de analfabetismo em 2013.
Esta iniciativa, aplicada já em vários países, foi reconhecida pela UNESCO com o Prêmio Alfabetização 2006 Rei Sejong, pela promoção do sistema de ensino que tem sacado da ignorância a mais de quatro milhões de pessoas em todo mundo.
Por outra parte, as duas nações impulsionam programas bilaterais como mineração, energia, emprego, agricultura, veterinária, esporte, cultura, justiça, segurança social e biotecnologia.
Sentimos-nos muito contentes com estes compromissos e de estreitar os laços entre nossos povos, pois estamos convencidos da importância e do impacto positivo da cooperação com Cuba.
Na conversa, Branco considerou que outro dos principais desafios da nação asiática é erradicar a cultura de violência enraizada na sociedade timorense.
Vivemos com um passado de conflitos que deixou muitos problemas, os quais agora devemos resolver e responder à reclamação dos jovens e do resto da população, que necessitam empregos e melhores condições habitacionais, assinala o diplomata.
Refere, ainda, que depois da destruição do país em 1999, ficaram graves problemas como carências de escolas, hospitais e moradias.
"A população vivia em casas de campanha assistidas pela Organização das Nações Unidas, muitos refugiados foram-se, depois regressaram, e nossa tarefa a 10 anos da independência é reconstruir tudo", afirmou. Estamos reestruturando o Estado com novas leis e regulações. Foi-nos muito difícil reunir as famílias, reconstruir a sociedade e isto deixou sempre uma ferida psicossocial, pois vivemos muita violência durante o processo de independência, comentou.
Para o entrevistado, o objetivo é eliminar essa cultura e mentalidade da violência, de resolver problemas pequenos com agressões.
"Temos avançado nesse sentido e hoje vivemos uma situação de paz, de equilíbrio, de maior entendimento entre vários grupos sociais, tendo consciência de que somente com essa estabilidade pode ser construído o futuro e o desenvolvimento da nação".
Nesse processo, enfatizou, contribui a construção de infraestruturas e o desenvolvimento dos serviços públicos como saúde e educação.
A este respeito, disse estar convencido de que os jovens que estudam em Cuba, quem têm adquirido uma nova forma de enfrentar os problemas e um maior sentido patriótico, vão desempenhar um papel importantíssimo na reconstrução da consciência nacional.
O país do sudeste asiático, território montanhoso de 15 mil quilômetros quadrados, localiza-se na ilha Timor, que compartilha em sua parte oeste com Indonésia.
Sua população não ultrapassa o milhão e cem mil habitantes, no entanto, a nação timorense possui cerca de 100 línguas e dialetos, ainda que só sejam reconhecidas como línguas oficiais o tetun e o português.