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casinomacauChina - Hoje Macau - Um estudo feito pela Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) mostra que cerca de 26% funcionários do jogo têm tendência para praticarem suicídio, sendo que destes 3,7% mostram que a tendência é muito forte. As razões para os resultados apontam que a maioria destas pessoas são viciadas em jogo, acumulam muitas dívidas e abusam de álcool e drogas.


Este não é o primeiro estudo que indica resultados semelhantes. No ano passado, entre Setembro e Novembro, o Centro de Serviços da Zona Norte da Associação Geral dos Operários de Macau também levou a cabo um estudo, sob o apoio de Associação de Empregados das Empresas de Jogo Macau (AEEJM), que referia que a maioria dos funcionários dos casinos têm entre 25 e 31 anos. Macau conta com mais de 2 mil funcionários na indústria do jogo, mas os estudos feitos só conseguem avaliar cerca de 1,13% desse total.

A preocupação pode, por isso, vir a ser maior. A FAOM propôs ao Governo criar uma rede de apoio para os funcionários divorciados ou com recentes casos de separação e pedem a especialistas que forneçam apoio psicológico. Na base das tendências suicidas estão ainda eventuais insultos dos clientes aos empregados e por vezes, até lesões corporais.

Mais apoio

Para o director-geral da AEEJM, Tam Pou Iong as empresas também têm a responsabilidade de lidar com a pressão dos seus empregados, até porque considera que a forma de gestão dos casinos não funciona bem. "Causa um alto nível de pressão nos funcionários de jogo, porque não os afasta das mesas do jogo depois do trabalho", refere. Tam Pou Iong propõe ao Governo criar um sistema que proíba os funcionários de entrar nos casinos depois do horário de trabalho, a fim de reduzir o risco de que estes joguem nos casinos e acumulem dívidas. No dia 6 deste mês, um funcionário com 29 anos saltou de um edifício no Porto Interior, por causa de dívidas.

Tam Pou Iong também propõe que as concessionárias façam inquéritos aos novos empregados e de três em três anos para verificar se os funcionários  demonstram problemas relacionados com o jogo.

Para Davis Fong, professor da UMAC e director do Centro de Investigação das Políticas do Jogo, acredita que a percentagem é muito alta. "Um lugar onde a taxa de suicídio é maior do que 13 em cem mil pessoas já é muito alto nos padrões da Organização Mundial de Saúde. O estudo mostra que mais de 3% funcionários tem uma tendência muito forte para o suicídio. Sem dúvida que é uma percentagem preocupante." O académico acredita que tem de haver mais publicidade ao apoio, porque os empregados dos casinos que pensam no suicídio parecem não saber da existência de uma rede de apoio.

Davis Fong aponta que o jogo é uma indústria especial e que as condições psicológicas dos clientes consoante estes ganham ou perdem tem efeitos diferentes consoante a pessoa. "É absolutamente inaceitável os insultos e as lesões corporais. A empresa não pode sempre considerar que os clientes são sempre correctos."

Sem vida social

O estudo também mostra que os funcionários do jogo faltam a actividades sociais por causa dos turnos do trabalho, o que especialmente influencia os funcionários divorciados e separados.

Outro problema reside na falta de creches para as mães que trabalham nos casinos. O presidente da Associação de Jogos com Responsabilidade de Macau, Kwan Vai Lam, aponta que no ano passado nasceram mais de 7,300 bebés. Destes, 40% a 50% são de funcionários do jogo. A FAOM recomenda por isso a criação do serviço de creches para apoiar o trabalho dos funcionários.

Apenas 149 jogadores patológicos procuraram ajuda

Os jogadores patológicos são invisíveis. Quem o assegura é o Instituto de Acção Social, que refere que, no ano passado, apenas 149 pessoas procuraram ajuda. O sistema de Registo Central dos Indivíduos afectados pela Problemática do Jogo só registou 144 pedidos de auxílio em 2011. O director do Departamento de Prevenção e Tratamento da Toxicodependência Hon Wai afirmou que procurar os jogadores escondidos é o trabalho principal para este ano. Segundo os dados, há cerca de 9600 jogadores patológicos escondidos em Macau.

Foto: LuisJouJR / Flickr - Alguns direitos reservados - Um casino em Macau.


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