A operação de gruas nas obras do Star River Windsor Arch – um complexo residencial de luxo situado à frente do Jockey Club – está parada, depois do acidente mortal que vitimou um trabalhador não residente do Continente, na terça-feira. O homem, com cerca de 40 anos, foi atingido por uma carga de três toneladas de argamassa, que estava a ser movida para o 36º andar de uma das torres em construção.
A ordem de suspensão dos trabalhos foi dada pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), que descreve o acidente como “um caso isolado”. As gruas só voltam a operar depois da empresa Great Harvest, responsável pela obra, apresentar um relatório.
“[Na terça-feira], ordenámos a suspensão das gruas. Agora, as obras só podem ser retomadas depois da entrega de um relatório”, disse ontem o chefe da Divisão de Promoção de Riscos da DSAL, Ng Peng Chi.
O responsável adiantou que o acidente foi provocado por “uma falha de energia”. A mesma explicação foi usada pelo representante da Great Harvest, que ontem se encontrou com os jornalistas nos estaleiros da obra.
“O trabalhador estava a terminar de fazer o transporte de cimento, quando houve uma falha energética e a carga começou a descer. Estávamos a levar o material a três ou quatro metros de altura. Nessa altura, foi atingido por aquilo”, explicou Mak Weng Un.
Além do relatório da Great Harvest, a empresa de construção de Macau anunciou que vai solicitar uma avaliação técnica independente. “Vamos chamar pessoal competente para avaliar os nossos guindastes e outros técnicos para fazer uma averiguação das máquinas. Queremos ter o relatório o mais breve possível para entregar à DSAL”, acrescentou Mak Weng Un, que não especificou a proveniência dos especialistas: “São engenheiros e técnicos que podem ser de Macau ou Hong Kong.”
Na edição de ontem do jornal Ou Mun lia-se que a grua que provocou o acidente apresentava uma alegada inclinação. Uma informação que Mak Weng Un fez questão de desmentir: “Não foi isso que se passou, nada está inclinado. O que aconteceu foi um problema no aparelho. Já reportámos isso à DSAL, PJ e Obras Públicas.”
O representante da Great Harvest garantiu ainda que “a falha energética já está resolvida”. Questionado sobre a existência de um plano alternativo que possa evitar outro acidente semelhante, Mak Weng Un respondeu que “não existe”.
Entretanto, a família da vítima já foi contactada. “Segundo o que sei, foram dadas 100 mil patacas à família”, informou o representante da Great Harvest.
A DSAL confirmou que “o trabalhador tinha seguro”. Ontem, a direcção de serviços aproveitou para voltar a apelar a um reforço da segurança por parte dos empreiteiros em actividade.
O acidente de terça-feira na Taipa junta-se a uma lista de outros que já aconteceram este ano. Segundo dados da DSAL avançados em Maio ao PONTO FINAL, registaram-se sete mortes em trabalho até dia 13 de Abril.
Foto: Ponto Final
