1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 (1 Votos)

angolaAngola - Esquerda - Os trabalhadores do órgão de informação angolano com maior audiência queixam-se do desvio dos seus descontos para a Segurança Social, das más condições de trabalho dos baixos salários. As negociações com o Governo fracassaram e mantém-se o aviso de greve para esta sexta-feira, a uma semana das eleições em Angola.


A delegada sindical da Rádio Nacional de Angola, Luísa Rangel, citada pela Voz da América, diz que a reunião com o Governo na passada terça-feira "foi uma perda de tempo e uma brincadeira", uma vez que o Governo se fez representar por três funcionários que não estavam dispostos a negociar mas apenas a ouvir de novo as queixas dos trabalhadores, expostas numa declaração entregue ao próprio Eduardo dos Santos no fim de julho.

O site Maka Angola cita a carta da comissão dos trabalhadores que descreve o protesto como "um acto de contestação contra a má-gestão, desvio de verbas que têm provocado perdas humanas constantes no seio da classe jornalística, danos morais, sociais e materiais aos trabalhadores". Os trabalhadores dizem que "a greve é dirigida contra a má-gestão da casa" e o alvo da indignação é o ex-diretor-geral Manuel Rabelais, que atualmente ocupa uma assessoria na Presidência da República, depois de ter sido indicado para dirigir a Comissão de Comunicação Institucional para a Campanha Eleitoral do MPLA.

Rabelais é apontado como estando na origem da demissão dos conselhos de administração da Rádio e da Televisão pública angolana, ditada por decreto presidencial no dia 21 de junho, a dois meses das eleições. Uma decisão vista como resultado de lutas de poder no interior do MPLA e dos círculos próximos da Presidência que nomeou como novos administradores algumas figuras de confiança do atual assessor presidencial.

Dois dias depois de nomeado assessor de Eduardo dos Santos, Rabelais começou a ser julgado em Benguela por "desvio de um edifício pertencente à RNA localizado naquela província", acrescenta o Maka Angola. Manuel Rabelais também foi alvo de uma investigação sobre a sua gestão de diretor-geral da RNA até 2010, cargo que acumulou durante cinco anos com o de ministro da Comunicação Social.

O inquérito levou dois meses a concluir que "resultaram indícios suficientes de terem sido praticados factos susceptíveis de responsabilização criminal", a partir de denúncias de "apropriação de fundos e património da empresa, assim como de valores descontados a mais de 2,670 trabalhadores para a caixa social".

A porta-voz da Comissão de Trabalhadores confirmou que os funcionários da RNA descontam todos os meses para a Segurança Social mas não vêem nenhum benefício e as pensões aos familiares de funcionários falecidos também não são pagas. Na reunião dos trabalhadores com o núcleo local do Sindicato dos Jornalistas Angolanos, Luísa Rangel falou do drama vivido pelos trabalhadores, evidenciado no suicídio do jornalista Luís Tara no ano passado.

"Ele foi esfaquear-se frente ao gabinete do presidente do Conselho de Administração, para chamar atenção ao seu calvário pela forma humilhante como era tratado pela direção. Para além disso, com mais de 20 anos de trabalho, ganhava apenas cerca de 60,000 kwanzas", um salário semelhante ao de auxiliar de limpeza noutro meio de comunicação estatal, o Jornal de Angola. Segundo o Maka Angola, Luís Tara sobreviveu aos ferimentos mas enforcou-se dias depois de ter alta hospitalar.


Diário Liberdade é um projeto sem fins lucrativos, mas cuja atividade gera uns gastos fixos importantes em hosting, domínios, manutençom e programaçom. Com a tua ajuda, poderemos manter o projeto livre e fazê-lo crescer em conteúdos e funcionalidades.

Microdoaçom de 3 euro:

Doaçom de valor livre:

Última hora

Quem somos | Info legal | Publicidade | Copyleft © 2010 Diário Liberdade.

Contacto: info [arroba] diarioliberdade.org | Telf: (+34) 717714759

Desenhado por Eledian Technology

Aviso

Bem-vind@ ao Diário Liberdade!

Para poder votar os comentários, é necessário ter registro próprio no Diário Liberdade ou logar-se.

Clique em uma das opções abaixo.