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leaoacordadoChina - Hoje Macau - [Andreia Sofia Silva] Numa altura em que Macau recebia a velha geração de emigrantes de Guangdong, os amigos Lo e Leong decidiram continuar uma paixão que já vinha dos tempos de residência no continente. Nascia, assim, a Associação Desportiva Lo Leong, virada para as artes marciais e as danças do leão e do dragão. Com 75 anos de existência, a Lo Leong assume querer expandir-se para a vertente turística.


Recuemos ao ano de 1938 e localizemo-nos junto a um Porto Interior em constante movimentação de pescadores, barcos e peixe acabado de roubar ao mar. Foi neste cenário de uma Macau pré-casinos, que já desapareceu no meio de muitos calendários, que nasceu um dos mais conhecidos grupos de artes marciais chinesas, que também se dedica a divulgar a dança do leão e do dragão. "A Lo Leong foi formada por um grupo de emigrantes da China que se instalaram na zona do Porto Interior. Toda a população activa vinda da China se instalava nessa zona. Foi formada por dois mestres, Lo e Leong, que como novos emigrantes tiveram dificuldades em se instalar na sociedade, e dedicaram-se mais às artes marciais", recorda ao Hoje Macau Henrique Madeira Carvalho, um dos membros da direcção da associação.

"Desenvolvemo-nos com a vida e economia de Macau. Entretanto o Porto Interior acabou. Conforme nos desenvolvemos com Macau também acabámos por sofrer com esse desenvolvimento", acrescenta.

Henrique Madeira Carvalho recorda, sobretudo, uma certa ligação política nos muitos eventos de cariz governamental em que a Lo Leong participou. "Politicamente na altura tínhamos uma tradição mais local, mais ligados à terra".

Para celebrar os 75 anos de existência, a associação anuncia hoje a realização de duas demonstrações de artes marciais durante 15 dias. Uma delas irá decorrer na zona do Iao Hon, com a participação de uma equipa de Hong Kong. Já no dia 19 de Junho vai decorrer no pavilhão do Tap Seac, junto ao jardim Vasco da Gama uma competição internacional com equipas de Singapura, China e Hong Kong. Segundo Henrique Madeira Carvalho, deverão ser um total de seis as equipas participantes. No dia 20 segue-se o jantar comemorativo na Doca dos Pescadores.

Em representação da RAEM

O objectivo de há 75 anos não só ganhou nos dias de hoje uma nova cor como expandiu-se: os membros da Lo Leong continuam a participar em competições, mas são cada vez mais requisitados para eventos turísticos em representação da RAEM. "Desde há 20 ou 30 anos que, em Macau, a associação se tem vindo a dedicar mais à dança do leão e do dragão. Nos últimos dez anos temos sido os principais representantes de Macau quando a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) faz representações no estrangeiro", conta Henrique Madeira Carvalho.

"Com o tempo diversificámos. Estamos a focar-nos mais no turismo de Macau e a expandir-nos para essa área, para além do desporto tradicional", revela o dirigente, que fala da estratégia governamental.

"O Governo está a pensar ir para os países de língua oficial portuguesa, e iremos não em nome da Lo Leong mas em representação de Macau, no domínio do turismo, e não tanto do desporto. O Instituto Cultural (IC) tem prestado muita atenção e estão a apostar nestes costumes."

A filha She-Si

Com diversas filiais, a Lo Leong criou uma semente em Portugal há mais de 20 anos, com a escola de artes marciais chinesas She-Si, situada no Porto. "Tivemos sempre apoio do Governo português e temos inclusivamente alunos portugueses na escola She-Si, que se desenvolveu em Portugal e que é uma das maiores escolas. É um filho que ficou. Nos últimos três anos temos mantido a promessa de ir a Portugal todos os anos, e já se tornou uma marca."

Paulo Araújo, mestre, presidente e fundador da escola She-Si, fala ao Hoje Macau da Lo Leong como sendo a sua "casa mãe", onde aprendeu tudo o que sabe com o mestre Pun. "É uma referência no mundo das artes marciais chinesas e por todos nós que vivemos no mundo da cultura chinesa. Faz parte da história de Macau e participou activamente na comunidade macaense. Hoje consegue ser um centro onde podemos beber da cultura de Macau."

Paulo Araújo diz ainda que "em termos desportivos prima pela excelência". "No tempo em que a Lo Leong nasceu havia meia dúzia de associações ligadas às artes marciais, mas soube adaptar-se à realidade das artes marciais. Teve essa particularidade de crescer no tempo, é um dos maiores valores. Hoje está a cumprir 75 anos e o futuro está à vista.  A Lo Leong é uma associação que vive sob um conceito de família, e que nós também trouxemos para cá para a She-Si."

Foto: Hoje Macau


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