“Os artistas fizeram apresentações também em São Paulo e Salvador e o projeto foi encantador, porque deu oportunidade para os brasileiros assistirem ao trabalho dos angolanos, coisa que nunca tinha acontecido no Brasil. Foi emocionante”, lembra Martinho da Vila.
A experiência deixou o cantor tão entusiasmado que, no ano seguinte, ele promoveu no Brasil novo encontro de músicos africanos. Desta vez, a festa recebeu o nome de kizomba. A palavra africana significa festa do povo, encontro de identidades, e teve origem nas danças dos negros que resistiram à escravidão.
“O objetivo era ter cada vez mais informações sobre a cultura africana e encontramos brasileiros também com muita curiosidade em saber o que nossos irmãos africanos produziam por lá. Então, as kizombas foram acontecendo uma vez por ano, até 1990, reunindo um público bastante diversificado”, contou Martinho, lembrando que “os shows marcaram a parte cultural do movimento negro no Brasil, hoje simbolizada pelo Festival Back2Black”.
Segundo o artista, o festival, que este ano está na quarta edição, é uma continuação das kizombas, pois nasceu da necessidade de fortalecer o contato com a música africana. Além de shows, o Back2Black reúne exposições, oficinas e debates. O sambista acredita que os shows com artistas negros podem atrair um público maior e se mostrou otimista, dizendo que tudo é uma questão de tempo.
“A disseminação da cultura negra está acontecendo paralelamente às ações afirmativas do Poder Público para a inserção do negro na sociedade, como a política de cotas, que garante a entrada em universidades, melhorando muito a autoestima dos negros. O meu sonho é que um dia a gente não precise mais dar esse tipo de entrevista nem ser militante de movimento negro”, disse.
Fonte: Agência Brasil