Num artigo intitulado “Vozes de força”, publicado no jornal The New York Times, a colunista Gia Kourlas, escreve que a artista moçambicana ‘tinha algo a transmitir-nos sobre a ligação entre o feminismo e a arte’.
“A ‘Sombra’ da Helena Pinto sugere-nos a realidade do obscurantismo e da marginalização das mulheres, sobrecarregadas pelo dever e, pior, com pouco poder de decidir sobre as suas vidas”, explica a jornalista.
A artista moçambicana usou, ao longo do seu solo, um balde preto na cabeça. Ela caminha entre uma série de outros baldes tombados no chão, enquanto outros pendem do tecto, amarrados em cordas.
“Ela equilibra na cabeça um balde, enquanto um dos pés está enfiando dentro de outro, para indicar, em termos físicos, como as mulheres podem ser vistos como meia pessoa”, escreveu ainda a colunista americana.
Maria Helena Pinto encontra-se desde o iníco deste mês nos Estados Unidos numa digressão que durará seis semanas, durante a qual fará apresentações e participará em estágios artísticos dispensados pela coreógrafa, ao mesmo tempo que aproveitará a oportunidade para dar a conhecer o seu projecto de construção arquitectónica da vila artística Dans’Artes.
A peça coreográfica “Sombra” é um solo criado em Maputo e que foi apresentado no Teatro Avenida, em 2007.
Esta obra foi posteriormente exibida, em Maio de 2008, no Festival de Dança “Danse-Afrique Danse”, realizado na Tunísia.
Foto: Maria Helena Pinto/Foto de Andrea Mohin/The New York Times