O primeiro e único livro sobre Arte Contemporânea chinesa em língua portuguesa, publicado em Macau em Outubro do ano passado pela editora Livros do Meio, foi apresentado na semana passada, em Lisboa, no Museu da Electricidade.
A obra, que pretende ser sobretudo um veículo de divulgação do que se faz ao nível artístico na China desde o início dos anos 80, mais do que uma análise crítica profunda sobre os vários artistas nela incluídos, foi apresentada pelo crítico de arte João Silvério, e pelo próprio autor, o artista e presidente da AFA (ArtForAll) José Drummond.
O Hoje Macau falou com o autor, entretanto regressado ao território da RAEM, onde está radicado há vários anos.
Como correu a apresentação do “ArteNova China” em Lisboa?
Correu muito bem. Foi surpreendente o número de pessoas que se deslocou ao belíssimo espaço da fundação EDP. A apresentação ocorreu na sala dos geradores do museu da electricidade, o que deu uma envolvente muito especial à conversa que decorreu durante a apresentação.
Que tipo de público esteve presente?
No público tanto havia pessoas que viveram em Macau, como artistas, galeristas, curadores, directores de museu, produtores de arte e cultura, como curiosos que apareceram pelo interesse que o tema parece cada vez mais levantar em Portugal. Estariam perto de 70 pessoas. De início, quando lá cheguei, ainda me assustei com a dimensão da sala, mas depois veio a verificar-se bastante composta e com uma agradável plateia. Uma vez que praticamente não se fez promoção ao evento, este facto reveste-se de um impacto ainda maior.
Como surgiu a ideia de fazer a apresentação nesse espaço?
O lançamento só aconteceu desta forma e neste espaço porque o projecto conseguiu reunir o apoio do João Silvério, que desde o primeiro momento em que lhe lancei a proposta tudo fez para que chegássemos a bom porto. O apoio do João Pinharanda também foi fundamental. É uma das mais importantes figuras das artes plásticas no lado do comissariado e é o director da área de exposições da fundação EDP, que de imediato ofereceu a sua ajuda para garantir o espaço do Museu da Electricidade.
Qual foi a recepção das pessoas à apresentação de um livro sobre a arte contemporânea chinesa?
Bastante positiva. No final muitas pessoas vieram agradecer-me e pedir para autografar o livro. Foram várias as opiniões no sentido de que tinha sido um muito proveitoso final de tarde. Muitas disseram que foi como assistir a uma aula sobre arte chinesa contemporânea, de que forma é, como tudo aconteceu e de que forma se faz.
Que noção têm as pessoas em Portugal da arte contemporânea chinesa?
Não existe muita noção em Portugal do que se passa deste lado. Mas existe muita curiosidade, sendo que por isso também sinto ao nível pessoal que a concretização deste projecto faz todo o sentido. Afinal, é o primeiro livro em língua portuguesa sobre arte contemporânea chinesa.
Que mais se poderia fazer para promover o intercâmbio cultural entre Macau, China e Portugal?
Muito. Nesta estadia surgiram muitas conversas e eventuais possibilidades de levar até Portugal artistas de Macau e da China. São ideias que irão amadurecer ao longo dos próximos meses. Mas as sementes já estão a germinar.
Há espaços interessados?
Há espaços, há curadores, há artistas interessados em colaborar. Falta juntar todos estes elementos e partir para a uma fase mais avançada de organização e de garantia de apoios para que as coisas possam resultar.
No plano pessoal, quais são os seus próximos projectos?
Ao nível do comissariado irei estar a apoiar a exposição do Francisco Tropa em Macau, que acontecerá em 2013, mas que começará a ser trabalhada agora. O Francisco Tropa representou Portugal em Veneza no ano passado e partilhamos um atelier no início de carreira. O convite para ser eu o Comissário e a ideia de trazer o Francisco Tropa é um projecto da total responsabilidade do IC, que pretende assim afirmar a ligação com a arte contemporânea que se faz em Portugal, numa iniciativa que todos esperamos que possa continuar.
E quanto à AFA ?
Com a AFA vem aí o salão de Outono do qual sou, com a Alice Kok, o curador. Vem aí também o festival de vídeo, o VAFA, que tem a novidade da parceria com o festival FUSO e com o Video Brasil, tendo uma sessão de cada um dos festivais a serem apresentadas pelos seus representantes. No próximo ano estarei como artista em várias exposições de grupo em Portugal.
Foto: To Raise the Water Level in a Fishpond
