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070412_luatyAngola - Esquerda - A nova geração de rappers angolanos está na primeira linha das manifestações contra o Governo de Eduardo dos Santos. E sofre na pele a repressão do regime, que "não está a saber lidar" com "este grupo novo da sociedade civil que emerge", diz Luaty Beirão, mais conhecido por Ikonoklasta.


"O partido que está no poder está um bocado atarantado com o que se está a passar", disse Ikonoklasta à agência Lusa, que ouviu vários dos protagonistas da banda sonora que tem marcado a oposição nas ruas. "Não acreditam que um bando de jovens choque de frente com o deus que eles levaram 30 anos a criar", acrescenta o rapper, referindo-se a José Eduardo dos Santos: "Ele está em 'outdoors', não aparece na televisão a não ser para cortar fitas e fazer muito breves declarações. Tudo o que acontece de bom, se a equipa ganha o campeonato de andebol, é graças ao Presidente".

Ikonoklasta foi um dos feridos na manifestação de 10 de março, quando a polícia e um grupo de homens ligados à segurança do regime atacou com paus e ferros o protesto convocado para pedir a demissão da presidente da Comissão Eleitoral, considerada parcial a favor de Eduardo dos Santos. O rapper diz que a sua vida mudou muito desde então mas não se arrepende. "Não estou a fazer nada de errado. Estou simplesmente a defender, publicamente, ideias. Acredito que numa democracia é isso que se deve fazer", conlui Ikonoklasta.

"As manifestações vão continuar, porque elas são a maior ferramenta de pressão política. A nível de parlamento, não tens oposição. Basta o MPLA mandar 30 deputados levantar a mão e aprovam todas e quaisquer leis", critica MCK, outro rapper de Luanda que viu o seu segundo disco em 2006 "proibido por orientações superiores". Por isso, intitulou o terceiro de "Proibido ouvir isto" e vendeu dez mil exemplares em quatro horas, apesar de nenhuma das músicas passar na rádio. Para MCK esta é a prova de que em Angola "a música tem mais peso do que a oposição".

Pedro Coquenão, criador do projeto Batida, acredita que as últimas manifestações são a prova de que o regime "tem os dias contados" e que "as próximas eleições vão ter de ser aldrabadas", para "garantir a representatividade necessária para sustentar o governo". No entanto, defende que o medo da guerra ainda impede o protesto de ser maior, já que "uma grande parte da população, mesmo que não seja a favor do que se passa, prefere que se passe aquilo e não haja guerra".


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